Arquivo da categoria Artigos EG-Focus

PorGelson Daniel

EGFOCUS CELEBRA DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL

O Dia Mundial da Saúde Mental é celebrado a 10 de Outubro.

 

Este dia visa chamar a atenção pública para a questão da saúde mental global, e identificá-la como uma causa comum a todos os povos, ultrapassando barreiras nacionais, culturais, políticos ou sócio-económicas. Combater o preconceito e o estigma à volta da saúde psicológica é outro dos objetivos do dia.

Esta data foi criada em 1992 pela Federação Mundial de Saúde Mental (World Federation for Mental Health).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a saúde mental uma prioridade e defende que a questão da saúde mental não é estritamente um problema de saúde.

Neste dia realizam-se colóquios para se encontrar soluções para os problemas relacionados com a saúde mental e coordenar esforços na luta contra esta realidade. O tema do Dia Mundial da Saúde Mental é: “Dignidade na Saúde Mental: Primeiros Socorros de Saúde Mental e Psicológica para Todos”.

Aumento dos casos de depressão

As perturbações de natureza mental estão a crescer e os distúrbios mentais, independentemente da sua gravidade, são uma das principais doenças incapacitantes do século XXI.

A depressão é a segunda causa de incapacidade na União Europeia. As doenças mentais e, particularmente a depressão, são o fator de maior risco de suicídio.

As causas relacionadas com a saúde mental em Angola, com um elevados índice de casos de morte por suicídios, continua a preocupar às autoridades sanitárias.

Dados estatísticos dos Serviços de Investigação Criminal e do Departamento de Medicina Legal referem que, de 2013 até o primeiro trimestre de 2018, foram registados cerca de 2.500 mortes por suicídio a nível do país.
A coordenadora Nacional do Programa de Saúde Mental e Abusos de Substancias, Massoxi Vigário, que avançou a informação ao Jornal de Angola, disse que existe ainda um número de mortes por suicídios que não chegam ao conhecimento das autoridades.


Massoxi Vigário, que falava a propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, que se assinala amanhã sob o lema “ Juntos para a prevenção do suicido”, afirmou que “temos a consciência de que esses números são os possíveis de acordo com a limitação de recursos para se obter mais informação à respeito”.
A especialista reconheceu não haver cobertura no país de médicos legistas, situação que torna difícil de se elaborar uma estatísticas em termos de morte por suicídios.

Com base nisso, lamentou de que não tem sido dado uma atenção aos casos ligados a saúde mental ou doenças mentais e, enquanto não se der solução ao caso, haverá sempre de existir problemas.
A responsável admitiu, por outro lado, que Angola não está isolada do resto do mundo e que em todo planeta, os problemas da saúde mental são considerado preocupantes e explicou que muito países colocam essa patologia no grupo de saúde prioritário.
A especialista espera que os problemas de saúde mental em Angola devem encarados com responsabilidade e com uma particular atenção, recordando que tem acompanhado com regularidade nos órgãos de comunicação social a transmissão de casos de violência doméstica, homicídios e até mesmo de suicídios.


De acordo ainda com a psicóloga clínica, os transtornos mentais muitas destes estão também associados ao contexto sócio económico, abuso do álcool, das drogas e pelo uso de substâncias.
Massoxi Vigário defendeu, por isso a necessidade de se trabalhar junto das autoridades de direito para que a saúde mental em Angola seja posta num nível de prioridade, à semelhança do que acontece com os casos da malária, da tuberculose do HIV/Sida e outras patologias .As estatísticas dos últimos quatro anos indicam um registo de 85.742 pessoas que passaram pelos serviços de saúde mental, disponíveis em sete províncias.

Luanda, Huambo, Benguela Huila, Cabinda , Malanje e Cunene são as regiões que constam da rede integrada de serviços de saúde mental. Dados estatísticos sobre a depressão e tentativa de suicídio acompanhados na Piscatória de Luanda, durante os últimos três anos, indicam que em 2016 houve o registo de 2.038 casos, 2017, 2.145, 2018, 2.087 casos.
Em relação à tentativa de suicídio, no triénio 2016 a 2018, a estatísticas aponta que em 2016 não houve nenhum caso, mas em 2017 foram registados 83 e em 2018, 165 ocorrências.

Conselho de psicóloga
A psicóloga clínica Kátia Francisco referiu que nas consultas diária tem aconselhado as pessoas a manter uma melhor qualidade de vida, no sentido de evitar perturbações psicológicas.
“Por exemplo, existem àquelas pessoas que tem uma expectativa elevada em relação daquilo que a sua realidade não oferecer e, ao não se conter, entram em frustração. Nesses casos, temos procuramos aconselhado a aceitarem a sua condição. Também transmitimos no sentido haver uma harmonia interna daquilo que são as suas expectativas”, disse a especialistas.
Katia Francisco lembrou que tem procurado dialogar com os pacientes sobre questões que tem haver com o perdão. “Nos dias de hoje, as pessoas tem dificuldade de perdoar, mas, no entanto, perdoar também é uma grande terapia”.
“Nos casos de pessoas com indicio de suicídios, os pacientes recebem um tratamento m psicologia e também psiquiátrico. A orientação parte do momento em que o paciente deve cumprir a terapêutica, desde o cumprimento do tratamento farmacológico, continuidade das terapias e um melhor ajustamento na família. Tudo isso é fundamentalmente nesse processo para o elemento com tendências de suicidar-se”, sustentou.

 

Elaborado Por Gelson Daniel

fontes: Jornal de Angola (http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/saude-mental-requer-atencao-redobrada-das-autoridades)

PorGelson Daniel

10 transtornos de personalidade mais comuns atualmente

10 transtornos de personalidade mais comuns atualmente

TOC, borderline, narcisismo, etc. Será que você tem algum transtorno e não sabe? Conheça, abaixo, 10 transtornos de personalidade mais comuns atualmente.

 

É quase instantâneo as pessoas pensarem em psicopatia quando ouvem falar em transtornos de personalidade, não é mesmo? Aliás, esse é um assunto que está super em alta nos últimos tempos e intriga todo mundo, já que a mente dos psicopatas é algo intrigante. Nós, do Segredos do Mundo, até já postamos um teste (clique) que permite descobrir, em segundos, se você ou alguém que você conheça apresenta tendência a ser psicopata.

Mas, ao contrário do que as pessoas pensam, esse não é o único transtorno de personalidade que existe. Hoje, aliás, você vai conhecer alguns transtornos de personalidade que são muito comuns atualmente, mas que pouca gente conhece.

Além disso, você vai conhecer os sintomas desses estranhos transtornos de personalidade. Por meio dessas características comuns a cada um dos problemas, você vai poder analisar se está sendo vítima de alguém com esses problemas, seja no trabalho, na vida pessoal e assim por diante.

Como você vai ver na lista, dentre os transtornos mais comuns estão o de Borderline, o Esquizoide, o Narcisismo e até mesmo o TOC. Mas muitos nem parecem se tratar de doenças, como os transtornos dependente e o antissocial. Estranho né?

Todos os transtornos de personalidade que você está prestes a conhecer foram mencionados e descritos pela psiquiatra Katia Mecler, em seu livro Psicopatas do Cotidiano. Aliás, como a autora mesmo ressalta, conhecer esses problemas psíquicos é muito importante para a vida de quem sofre com eles e para a vida das pessoas que estão em volta, já que até 10% da população mundial, hoje em dia, apresenta algum tipo desses transtornos.

Então conheça, agora, alguns dos transtornos de personalidade mais comuns:

1. Obsessivo-compulsivo

1

Também conhecido como TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), esse é um dos transtornos de personalidade mais comuns hoje em dia e se caracteriza pelo excesso de cuidados com as regras, a organização e os horários. Conhece alguém assim?

Pessoas obsessivas-compulsivas são notoriamente teimosas e perfeccionistas, preferem o trabalho ao lazer, na maioria dos casos; são inflexíveis e escrupulosas em excesso quanto à moral e à ética. Além disso, tendem a ser acumuladoras, não conseguem delegar responsabilidades ou tarefas, por mais simples que sejam; e, não raro, são muito pão-duras.

2. Evitativo

2

O nome é estranho, mas, como você vai ver, esse é um dos transtornos de personalidade bem frequentes hoje em dia. Aliás, muitas vezes, o transtorno evitativo nem parece algo preocupante.

Isso porque pessoas evitativas resistem, ao máximo, contato interpessoal, mesmo na vida profissional; não costumam se envolver com os outros sem ter certeza de que será bem recebido; e são reservadas mesmo em relacionamentos íntimos, com medo do ridículo ou por pura vergonha mesmo.

Pessoas que sofrem com esse transtorno costumam também ser muito preocupadas com críticas e rejeições, não fazem novas amizades facilmente, até porque acreditam ser inferiores aos demais. Além disso, dificilmente, assumem riscos ou estão abertas a novas experiências, por mais simples que pareçam.

3. Dependente

3

Falando assim, nem parece ser um dos transtornos de personalidade de nossa lista, mas uma característica inocente, não é mesmo? Mas pessoas dependentes demais são, na verdade, doentes.

Aliás, quem tem esse transtorno costuma não ficar sozinho muito tempo, emendando um relacionamento no outro. Tem dificuldades para tomar decisões sozinho, terceiriza as responsabilidades sobre a própria vida e, raramente, manifesta sua verdadeira opinião, especialmente se for de desacordo, com medo de perder apoio dos que estão em volta.

Pessoas dependentes, além disso, dificilmente apresentam iniciativa própria, fazem coisas extremas para ganhar carinho, atenção ou amparo; não conseguem ficar sozinhas, mesmo em casa, por muito tempo e apresentam medo irreal de serem abandonadas.

4. Histriônico

4

Pessoas com transtorno histriônico não sabem lidar com a falta de atenção e precisam, sempre, ser o centro de todos os olhares. Para isso, elas costumam apresentar um comportamento sedutor exagerado, usam a aparência física para conseguir atenção e tendem a dramatizar as emoções.

Além disso, os histriônicos acreditam que as relações pessoais são mais íntimas que a verdade. Costumam ainda fazer discursos carentes e apresentar mudanças emocionais repentinas.

5. Narcisismo

5

Embora seja um conceito conhecido, poucas pessoas sabem que o narcisismo se trata de um problema e está entre os transtornos de personalidade mais comuns atualmente. Isso porque, pessoas que apresentam esse transtorno costumam ter fantasias de sucesso ilimitado na vida, acreditam ser únicas e especiais e precisam de atenção excessiva.

Os narcisistas também acreditam piamente que possuem direitos exclusivos, são arrogantes, insolentes, invejosos e, mesmo sem motivo, costumam se sentir alvos de inveja alheia. Sem contar que costumam ser exploradores em suas relações.

6. Borderline

6

Esse é um dos transtornos de personalidade mais estranhos da lista. Isso porque quem tem o problema costuma ter mudanças rápidas de humor, tem medo de ser abandonado e quer evitar, a qualquer custo, o abandono. Por isso mesmo, seus relacionamentos costumam ser instáveis e intensos demais. Essas pessoas também têm comportamento suicida recorrente e voltado a automutilação.

Além disso, pessoas com borderline costumam ter pensamentos paranoides em períodos de estresse e são compulsivas por alguma coisa, como compras, álcool ou drogas.

7. Antissocial

7

Pessoas antissociais, dependendo do nível, também podem ter problemas sérios relacionados a personalidade. Isso porque podem se mostrar falsas, incapazes de se adequarem às regras sociais, podem ficar agressivas ou irritadas quando expostas demais; sem contar que, na maioria das vezes, não conseguem planejar o futuro.

Os antissociais também podem ser irresponsáveis e podem não apresentar ou não demonstrar remorso pelo mau comportamento. Além disso, podem ser manipuladores e sedutores, na grande maioria das vezes.

8. Paranoide

8

Os sintomas de quem apresentam o transtorno paranoide costumam ser bem característicos, como o excesso de desconfiança sem qualquer motivo, relacionado a qualquer pessoa ou assunto. Sem contar com a preocupação injustificada com a lealdade dos amigos e a incapacidade de confiar, o mínimo possível, nas pessoas.

Além disso, os paranoides costumam guardar rancor muito facilmente, acreditam que sua reputação está sendo sempre atacada e, claro, têm dúvidas constantes sobre a fidelidade dos parceiros ao longo da vida.

9. Esquizotípico

9

Pessoas que sofrem com esse transtorno costumam ser extravagantes na aparência e no comportamento, sentem o tempo inteiro que são perceptivas além do normal e acham que conseguem prever as coisas. Costumam também ser muito ansiosas, sustentam crenças estranhas e superstições exageradas. Além disso, sofrem com desconfiança paranoide, não têm amigos íntimos e, por isso mesmo, costumam demonstrar afetos inadequados.

10. Esquizoide

10

Bom, a melhor forma de ilustrar esse transtorno de personalidade talvez seja citando o personagem Sheldom Cooper, de The Big Bang Theory. Assim como ele, pessoas que sofrem com o problema preferem atividades solitárias, não desfrutam de relações íntimas, têm pouco ou nenhum interesse por experiências sexuais, quase não sentem prazer, de forma geral; não têm amigos próximos, são frios emocionalmente são indiferentes a elogios ou críticas.

E aí, identificou alguém nesses transtornos de personalidade?

Fonte: Extra

PorGelson Daniel

A Atuação do Psicólogo no Planejamento Familiar

A Atuação do Psicólogo no Planejamento Familiar

Este artigo tem como finalidade acrescentar em conhecimento a respeito do Planejamento Familiar e sua importância na construção da família de forma livre e consciente a sociedade.

Será apresentada uma prévia da história da implantação do P.F, onde a política adotada era a anti-controlista, o aborto e a prática contraceptivos eram proibidos e o incentivo a gravidez oferecida em forma de recompensas e vantagens.

Observando a necessidade o Ministério da Saúde cria um programa de atenção à mulher, dando-lhe todo aparato necessário a seu cuidado, oferecendo redes públicas de anticoncepcionais a preços acessíveis a população. Dá ainda opções de escolher o melhor método de acordo com sua necessidade situacional e pessoal, assim como grupo de profissionais adequados e qualificados para o atendimento cirúrgico. Contudo, reveremos que o sistema responsável pela distribuição das informações e qualificação dos profissionais, não consegue abranger tanta demanda, deixando o programa não eficaz em toda dimensão.

Discorrerá em particular da ação do psicólogo dentro desse processo. A escuta especializada tem seu valor, mediante a importância de decidir na utilização do método anticonceptivo. Neste momento, podem ocorrer alguns sentimentos como dúvida, medo e fantasias mediante o método mais eficaz.  O homem, mulher e ou casal tem a oportunidade de serem ouvidos expressando sem medo de críticas e julgamento, todavia são respeitados as crenças e os valores individuais em função de uma satisfação familiar.

Salienta o Planejamento Familiar no âmbito judicial, constitua as ações profissionais realizadas dentro do processo, como as exigências para aqueles que as solicita. E as punições as pessoas que realizam métodos anticonceptivos em desacordo estabelecido pela lei. Ter acesso ao programa de Planejamento Familiar é direito do cidadão assegurado por lei.

2. A Necessidade da Implantação do Planejamento Familiar em Angola

Durante grande parte da história cultural do Angola, a mulher sempre teve seu papel bem restrito e acentuado na família, a função que lhe competia era apenas de gerar e cuidar de sua prole. A mulher, porém, foi reivindicar dentro da família e na sociedade seus direitos. E após alguns anos, buscando igualdade ocorreu o movimento chamado de história feminista, dividida em três “ondas”. A primeira teria ocorrido no século XIX e início do século XX, a segunda nas décadas de 1960 e 1970, e a terceira teria ido da década de 1990 até a atualidade.

O Código Civil de 1916 assentava a mulher, enquanto cidadã, ainda em situação desigual em relação ao homem na sociedade, fortalecia os padrões patriarcais de família. No período do “Estado Novo” (1937-1945), liderado por Getúlio Vargas, foram adotados dispositivos legais para fortalecer a família numerosa, por meio de várias medidas, pais como, regulamentação e desestímulo ao trabalho feminino, adicional do imposto de renda incidindo sobre os solteiros ou casados sem filhos, facilidades para a obtenção de casa própria aqueles que pretendessem se casar complemento de renda aos casados com filhos, reforço de renda aos chefes de famílias numerosas cuja renda fosse inferior a certo valor, e regras que privilegiavam os casados com filhos para o acesso e promoção no serviço público (FONSECA, 2001).

Neste período havia a implantação anticontrolista que proibia o uso de métodos contraceptivos e o aborto, isso tudo respaldado na lei. Em decorrência, houve um aumento considerável da população, como também o acréscimo da taxa de mortalidade infantil e de gravidez indesejada. A mudança ocorreu ainda no quadro familiar, sócio e cultural. As famílias então compostas por quantidades de membros cada vez menores, pais preocupados com a qualidade de vida, surge então a necessidade do Planejamento Familiar. Sem contar com o grande aumento de doenças sexualmente transmissível. Contudo, o foco neste trabalho se dar na opção de ter ou não filhos e a forma de evitar a gravidez.

Os métodos anticoncepcionais limitados eram concentrados quase que exclusivamente na pílula e na ligadura tubária. Sendo que a maioria das mulheres que fazia a ligadura tubária estava requerendo reversão da cirurgia, criando uma demanda adicional difícil de ser satisfeita nos serviços de esterilidade.

2.1 Programa de Atenção à Mulher do Ministério da Saúde

O Governo desenvolve, então, uma política de Planejamento Familiar oferecendo rede pública de anticoncepcionais, e a diminuição de seu preço nas farmácias populares, de serviços para esterilização voluntária e os voltados à reprodução assistida para casais com dificuldades de ter filhos, daí o nome de programa de planejamento familiar, o direito de ter filho quando, como, onde e com quem quiser. Entretanto, o programa ainda não atende as necessidades das mulheres ou de seus familiares, as atividades nesta área não têm sido completamente implementadas em todos os níveis de atenção.

Na prática ele se restringe à distribuição de preservativos e outros contraceptivos e ainda está focado na responsabilização da mulher, no que diz respeito a seu cuidado e da família. Também ainda é visto como de responsabilidade exclusiva da mulher, igualmente como a educação e a tradição da continuidade da relação de gênero, onde o homem é o mantenedor e aquele que decide e a mulher aquela que serve e obedece. É ela que ainda procura os consultórios para o processo anticonceptivo.

Estamos em transição cultural, onde busca distribuir igualitariamente a responsabilidade e o P.F. se propõe a inserir o homem, o parceiro, no processo, incentivando sua participação através da vasectomia, mas na prática não discute sua importância na formulação das estratégias familiares, não fala do papel fundamental deste no uso de preservativo masculino e principalmente da sua importância em seus momentos decisivos, como realizar ou não um aborto, apesar de o companheiro ser, na maioria das vezes, o influente da interrupção da gravidez.

2.2. Escolha dos Métodos Anticoncepcionais

A assistência em anticoncepção implica a oferta de todas as opções de métodos anticoncepcionais aprovados pelo Ministério da Saúde, assim como a informação de suas indicações, contra indicações e implicações de uso, garantindo à mulher, homem ou ao casal os subsídios necessários para a escolha livre e consciente do método que a eles julgarem melhor.

Os profissionais devem levar em consideração os seguintes aspectos na decisão sobre o método anticoncepcional. São eles: a escolha feita pela mulher, homem ou o casal; fatores individuais e a situação relacionada aos usuários do método, ou seja, sua condição econômica, seu estado de saúde, medos, dúvidas, vergonha, fase que se encontra na vida e suas ambições reprodutivas; e as características dos métodos, no qual podemos salientar as seguintes: Eficácia, efeitos secundários, aceitabilidade, disponibilidade, facilidade de uso, reversibilidade, proteção à Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e infecção pelo HIV.

Existem diversos tipos de métodos contraceptivos disponíveis no mercado, como a camisinha masculina, camisinha feminina, o DIU (dispositivo intrauterino), contracepção hormonal injetável, contracepção hormonal oral (pílula anticoncepcional), implantes, espermicida, abstinência periódica, contracepção cirúrgica, contracepção de emergência, entre outros. Vale ressaltar que quando se fala em tomar a decisão consciente, significa que qualquer método escolhido só funcionará se for utilizado de forma correta.

Os métodos contraceptivos são classificados em cinco grupos, são eles:

  • Métodos comportamentais
  • Tabelinha;
  • Temperatura basal;
  • Muco cervical (método Billings);
  • Coito interrompido.
  • Métodos de barreira
  • Camisinha;
  • Diafragma;
  • Esponjas;
  • Espermicidas;
  • Dispositivo intrauterino (DIU)
  • Contracepção hormonal
  • Contraceptivos orais;
  • Contraceptivos injetáveis;
  • Implantes;
  • Anel vaginal;
  • Adesivos cutâneos;
  • Contracepção de emergência (pílula do dia seguinte);
  • Contracepção cirúrgica.

3. Profissionais e suas Ações Dentro do Planejamento Familiar

No que se refere ao Planejamento Familiar, à atuação dos profissionais de Saúde deve estar pautada na Constituição da República de Angola especificamente, no Artigo 226, parágrafo 7 que fala do princípio da paternidade responsável e no direito de livre escolha dos indivíduos e/ou casais.

Os profissionais responsáveis que formam a equipe multiprofissional do P.F. são: Enfermeira, Assistente Social, Psicóloga e o Médico, suas ações envolvem três tipos de atividades. A primeira é a atividade educativa, cujo objetivo é oferecer ao cliente as informações necessárias para a escolha e posterior a uso do método anticoncepcional mais adequado, assim como propiciar o questionamento e reflexão sobre os temas relacionados com a prática da anticoncepção, inclusive a sexualidade. Essa atividade é geralmente feita através de palestras, onde estão presentes enfermeira, passando as informações sobre os meios anticonceptivos, a Assistente Social, para discorrer sobre aspectos legais da esterilização cirúrgica e a Psicóloga para falar sobre o aspecto emocional.

Em seguida o aconselhamento, que é entendido como um processo de escuta ativa individualizada e centrado na pessoa. “Implica na capacidade de estabelecer uma relação de confiança entre os interlocutores ter em vista o resgate dos recursos internos do indivíduo para que ele tenha possibilidade de reconhecer-se como sujeito de sua própria saúde e transformação” (CN DST/AIDS – MS, 1997).

A terceira são as atividades clínicas, que de acordo com Brasil (2002) devem ser realizadas levando-se em conta que todo e qualquer contato que a mulher venha a ter com os serviços de saúde deve ser utilizado em benefício da promoção, proteção e recuperação da sua saúde. Sendo que a primeira consulta deve ser feita após as atividades educativas incluindo: a anamnese; exame físico geral e ginecológico, com especial atenção para a orientação do auto-exame de mamas e levantamento de data da última colpocitologia oncótica para avaliar a necessidade de realização da coleta ou encaminhamento para tal; análise da escolha e prescrição do método anticoncepcional. Sendo esta última atividade exclusiva ao médico.

O Sistema Único de Saúde é responsável por capacitar profissionais no processo de atendimento do Planejamento Familiar. Contudo a capacitação não abrande todos os profissionais, fragilizando o programa. E por consequência a população tem dificuldade em usá-la, em razão da ausência de um trabalho educativo resultando na ineficácia do processo anticonceptivo.

3.1. A Psicologia no Planejamento Familiar

O Planejamento Familiar é uma ferramenta que dar possibilidade ao homem e a mulher programar de forma consciente quantos filhos terá e quando os terá. Assim como, também contribui para a saúde da mulher, da criança e do homem. O Psicólogo como membro da equipe multiprofissional recebe essas pessoas dentro de uma perspectiva de aconselhamento, atendendo seus pacientes e proporcionando um processo de reflexão de vida. Isso acontece quando ocorre um diálogo aberto entre o profissional e o cliente. Nessa ótica, Ribeiro (2006), conceitua o diálogo como:

Diálogo é entregar minha palavra para o outro e receber a dele, sabendo que a única coisa que torna duas pessoas iguais é a aceitação da diferença existente na presença viva de ambas. Diálogo é o respeito pela diferença, e é a palavra o instrumento que transporta o ser de um para o outro, tornando possível, assim, a comunicação. Diálogo não é aceitar ou negar a palavra do outro, dialogar é aceitar que o outro tem o direito de ser diferente de mim e somente a palavra do outro aceita e experienciada pode tornar as diferenças iguais (RIBEIRO, 2006, p.105).

O aconselhamento psicológico tem um enfoque centrado na pessoa que se expõe como uma opção muito mais agente de encontros entre pessoas do que de transmissão de informações em consultas (ROGERS, 1987).

É papel do psicólogo, realizar orientação Individual, orientação conjugal e atendimentos grupais. Será descrito do que se trata cada um deles.

O atendimento individual proporcionar ao indivíduo, mulher ou homem, toda uma expressão de seus sentimentos, dúvidas e fantasias diante da decisão de realizar o método anticonceptivo mais efetivo. Mais que isso, é um momento exclusivo e ímpar com cada mulher, respeitando-a com seus valores e expectativas e estabelecendo uma relação de confiança.

Orientação Conjugal refere-se o momento em que o casal expõe seus desejos e é realizada uma reflexão sobre a escolha tomada, sem imposições nem críticas, mas respeitando as crenças e os valores individuais em função de uma satisfação familiar. Os dois têm a oportunidades de serem ouvidos, orientados e aconselhados a toma a decisão mais adequada ao casal, dentro de uma perspectiva de desejo do próprio par.

Atendimento em Grupo é a metodologia aplicada em grupos de forma participativa, informando sobre os diversos aspectos da Reprodução humana, Contracepção, Doenças Sexualmente Transmissíveis, prevenção do Câncer de Mama, Próstata e do Colo Uterino. Aqui participa todos os profissionais participantes no processo do Planejamento Familiar, onde é feita uma apresentação geral do Programa, distribuição de material audiovisual explicativo e reflexão sobre as formas diversas para regulação do planejamento familiar.

É também papel do psicólogo fazer uma avaliação psicológica, onde avalia mulheres e homens que desejam submeter-se ao procedimento cirúrgico escolhido pelos mesmos. O psicólogo avalia aspectos emocionais que permitem uma escolha adequada e consciente.

Infelizmente o psicólogo encontra dificuldades para realizar suas ações de forma adequada. Os percalços começam desde o mais simples ao mais complexo, como a falta de uma sala e se estende em entrosamento entre a equipe, articulação entre os saberes, dificuldade na atuação decorrente a alta rotatividade, desafios éticos entre outros.

4. Aspectos do Planejamento Familiar no Âmbito Judicial

A família, como instituição considerada base da sociedade, é carecedora de uma especial atenção, e essa necessidade cresce a cada dia, se levarmos em conta o fenômeno da dissociação familiar, que é notado pelo aumento das ações de divórcio, entre outros agravantes responsáveis pelo enfraquecimento da família.

Pensando na esfera doméstica e social, em sua solidez e saúde em todo seu contexto, foram criadas medidas certificando-se legalmente do seu cumprimento.  Surge aí a Lei do Planejamento Familiar, onde o objetivo é permitir que homens, mulheres e casais possam decidir de forma livre e consciente a decisão de ter ou não ter filhos, e qual procedimento anticonceptivo é o mais adequado a ser submetido. Obtendo assim a autoridade do tamanho da família que o casal deseja, podendo, portanto ter uma vida mais saudável e confortável dentro de seus padrões econômicos.

Em 12 de janeiro de 1996, a Lei nº 9.263, regula o § 7º do art. 226 da Constituição Federal, que trata do Planejamento Familiar, estabelece penalidades e dá outras providências.

No que diz respeito ao P.F. a lei diz que, é direito de todo cidadão. Descreve ainda o Planejamento Familiar como o conjunto de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal, dentro de uma visão de atendimento global e integral à saúde, em todos os seus ciclos vitais, que inclua, como atividades básicas, entre outras:

  1. a assistência à concepção e contracepção;
  2. o atendimento pré-natal;
  3. a assistência ao parto, ao puerpério e ao neonato;
  4. o controle das doenças sexualmente transmissíveis;
  5. o controle e prevenção do câncer cérvico-uterino, do câncer de mama e do câncer de pênis.

Discorre que Sistema Único de Saúde promoverá o treinamento de recursos humanos, focalizando a capacitação do pessoal técnico, visando à promoção de ações de atendimento à saúde reprodutiva, como também promover condições e recursos informativos, educacionais, técnicos e científicos que assegurem o livre exercício do planejamento familiar.

Consta que mediante avaliação e acompanhamento clínico e com informação sobre os seus riscos, vantagens, desvantagens e eficácia, são oferecidos todos os métodos e técnicas de concepção e contracepção cientificamente aceitas e que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas, garantida a liberdade de opção.

É ainda assegurada à esterilização voluntária, na condição de haver um registro que conste a vontade em documento escrito e firmado, após a informação a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção reversíveis existentes. Contudo nas seguintes situações:

  • em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por equipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce;
  • risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos.

É negado àqueles que apresentarem alterações na capacidade de discernimento por influência de álcool, drogas, estado emocional alterada ou incapacidade mental temporária ou permanente, e a mulheres durante o período de parto ou aborto, exceto nos casos confirmado a necessidade por cesarianas sucessivas anteriormente.

Será feita a esterilização cirúrgica como método contraceptivo somente através da laqueadura tubária, vasectomia ou de outro método cientificamente aceito, sendo vedada a histerectomia e o oforectomia. Assim como é vedada a indução ou instigação individual ou coletiva à prática e teste de esterilização ou de testes de gravidez para quaisquer fins.

É de competência e atribuições, cadastrar, fiscalizar e controlar as instituições e serviços que realizam ações e pesquisas na área do planejamento familiar, à instância gestoras do SUS.

É posto como crime sujeito a penalidades a realização de esterilização em desacordo com o mencionado anteriormente, dados extraídos da Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996. Tendo como pena a reclusão de dois a oito anos, multa, se a prática não constituir crime grave.

5. Considerações Finais

O Planejamento Familiar como direito de todo o cidadão e como parte integrante do Programa de Atenção a Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, tem oferecido a sociedade os recursos preventivos às doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez. Aqui dando ênfase a métodos anticonceptivos.

O SUS é responsável por oferecer diversos métodos contraceptivos e informações sobre os mesmos, qualificar profissionais e ainda fiscalizar a garantir a eficácia do Planejamento Familiar. Porém, as atividades dessa área tem sido incompleta em todos os níveis de atenção, ou seja, é fácil o acesso ao método, porém nem todos os casos funcionam como deveria por não ter sido utilizado de maneira correta, supondo pouca ou até a ausência de informação necessária.

Efetiva-se a finalidade de adicionar mais informações à população sobre o Planejamento Familiar, abocando em único lugar dados prescindíveis. Pontua-se por fim a reflexão como fator importante na tomada de decisão.

PorGelson Daniel

Psicologia Positiva e o Constructo da Resiliência: uma Revisão Bibliográfica

Psicologia Positiva e o Constructo da Resiliência

Resumo: A psicologia positiva é um paradigma teórico importante da psicologia, a qual tem crescido consideravelmente no Brasil, principalmente, a partir no século XXI. A finalidade da psicologia positiva é analisar os princípios psicológicos do bem-estar e da felicidade do indivíduo, bem como caracterizar os pontos fortes e as virtudes do ser humano. No entanto, os estudos científicos sobre a psicologia positiva em território brasileiro ainda são pouco expressivos em relação a diversos países do mundo, como os Estados Unidos e os países europeus, por exemplo. No campo da psicologia positiva, o presente estudo destaca o constructo da resiliência, ou resiliência psicológica. Resiliência é a capacidade de desenvolvimento com saúde e perspectivas positivas sobre o futuro do indivíduo, mesmo diante de acontecimentos que tornam o cotidiano deste indivíduo relativamente desestruturado, em condições complexas de vida, além de traumas – graves, em muitos casos. Tecnicamente, resiliência é a habilidade do ser humano lidar, superar, aprender e/ou até mesmo se transformar a partir dos imprevistos inevitáveis da vida. Tal capacidade de proteger-se oferece condições para uma pessoa, um grupo e/ou uma comunidade prevenir e/ou superar os efeitos prejudiciais causados pelas adversidades da vida.

Com base nesse contexto, a presente pesquisa analisou os principais aspectos relacionados à psicologia positiva, com ênfase no constructo da resiliência, destacando o seguinte questionamento: quais as principais características da resiliência psicológica, e quais as principais contribuições dessa área para a psicologia positiva? Em relação ao objetivo desse estudo, foram analisados os principais aspectos referentes à psicologia positiva e à resiliência psicológica, caracterizando os principais fatos históricos e uma breve descrição sobre a evolução do conceito de resiliência no ambiente das ciências humanas, principalmente, na área da psicologia. O presente trabalho foi desenvolvido por meio de uma revisão bibliográfica narrativa e, dentre os autores estudados, estão: Assis et al (2006); Bhana & Bachoo (2011); Christopher et al (2008); Dell´Aglio et al (2006); Fajardo (2012); Fourie & Theron (2012); Infante (2005); Junqueira (2003); Lopes & Martins (2011); Melillo & Ojeda (2005); Peterson (2013); Reppold et al (2012); Schviger (2010); Seligman (2011); Snyder & Lopez (2009); Taboada et al (2006); Ungar (2011); Waterman (2013); entre outros.

Palavras-Chave: Ciências Humanas, Constructo da Resiliência, Psicologia Positiva. Resiliência Psicológica, Saúde Mental.

Por : GD

1. Introdução

De acordo com estudos científicos, a resiliência teve origem nos segmentos da Física e da Engenharia. No ano de 1807, o inglês Thomas Young – um dos precursores na utilização da resiliência – desenvolveu os primeiros conceitos referentes à elasticidade – tensão e compressão. Por meio de experiências científicas, Thomas Young pretendia identificar os principais aspectos relacionados entre as forças sobrepostas nos materiais, bem como quais efeitos haveriam por meio destes, sendo considerado desta maneira, o primeiro cientista a desenvolver uma metodologia a fim de calcular tais forças, partindo do estresse ocorrido por meio dos impactos.

 

A inserção da resiliência no campo da psicologia ocorreu por meio da necessidade de identificar aspectos sobre o enfrentamento das pessoas diante de adversidades da vida. É importante salientar que não se deve relacionar a resiliência de materiais físicos com a resiliência voltada para as ciências humanas, partindo do princípio de que cada um destes dois campos científicos possuem aspectos peculiares e complexos. A Psicologia, por sua vez, ao utilizar tal concepção de origem na física no campo das ciências humanas, utiliza alto nível de cautela para não ocorrerem relações indevidas entre esses dois saberes científicos, afinal, não é este o objetivo da resiliência no âmbito da Psicologia.

Os estudos relacionados à resiliência começaram a ter maior profundidade nas últimas três décadas do século XX, ganhando força no século XXI. Por se tratar de um tema relativamente recente, seu conceito na área da psicologia ainda não tem plena clareza, sofrendo controvérsias entre diversos autores que se dedicam ao aprofundamento de pesquisas relacionadas à resiliência. É uma área que possui aspectos complexos, com múltiplas características e variáveis que devem ser consideradas pelos especialistas das ciências humanas ao analisarem e/ou utilizarem esse constructo.

 

No Brasil, o termo resiliência ainda não foi muito explorado no campo da psicologia, tendo sido utilizado somente por alguns especialistas em ambientes acadêmicos. A maioria dos profissionais brasileiros das áreas da psicologia, sociologia e educação não conhecem o significado de resiliência, muito menos as possibilidades de utilização deste campo de estudo dentro da psicologia positiva. O contrário acontece em diversos países da Europa e nos Estados Unidos, onde o conceito é amplamente disseminado e aplicado por acadêmicos e, principalmente, pelos profissionais da área de psicologia, sociologia e educação, cujo tema é abordado, inclusive, no cotidiano das pessoas, e tratado como um assunto natural nestes países.

O avanço dos estudos relacionados à resiliência no segmento da psicologia, principalmente dentro da área da psicologia positiva, tem por finalidade analisar as características de saúde no desenvolvimento do ser humano. Este conceito originou-se e foi disseminado por Michael Rutter (Inglaterra) e Emmy Werner (Estados Unidos), estendendo-se para países da Europa, tais como: Alemanha, França, Espanha e Países Baixos, com conceitos peculiares em cada um desses países.

Nos Estados Unidos, destacam-se os aspectos relacionados ao comportamento e ao pragmatismo, com foco no individualismo. Na Europa, a resiliência foi estudada sob uma essência psicanalítica mais expressiva, além de caracterizada de uma perspectiva mais ética. Anos mais tarde, ao chegar à América Latina, o conceito de resiliência assumiu um papel comunitário, com destaque para questões envolvidas com o ambiente social dos países latinoamericanos.

Os pesquisadores do tema buscam compreender as habilidades do ser humano para refazer a própria vida, seja no campo pessoal ou profissional, depois de sofrer algum tipo de dano físico, intelectual ou espiritual, sendo essas habilidades uma das caraterísticas dos processos de resiliência. Portanto, um fenômeno complexo e fascinante, haja vista a possibilidade de compreender os diferentes aspectos da pessoa e sua interrelação com os fatores socioeconômicos e culturais. O constructo resiliência tem sido discutido por pesquisadores de países distintos, mas apesar dos enfoques diferenciados, percebe-se um consenso quanto à sua definição. No percurso histórico do conceito e nas definições construídas pelos estudiosos do desenvolvimento humano, observa-se consonância entre eles por referirem-se à resiliência como a capacidade humana de superação. Portanto, é normalmente citada quando relacionada aos processos ou acontecimentos que explicam a superação de crises e/ou adversidades em indivíduos, grupos e organizações, transformando os momentos traumáticos e situações complexas em oportunidades de crescimento (Tavares, 2001; Yunes, 2001; Yunes & Szymanski, 2001; Assis et al, 2006).

As expressões invencibilidade e invulnerabilidade são pioneiras em relação à resiliência na psicologia, as quais ainda orientam diversas produções científicas de pesquisadores da área (Yunes & Szymanski, 2001).

No ano de 1992, o psicólogo John Bowlby foi o primeiro profissional a utilizar a expressão resiliência no sentido figurado, definindo-o como instrumento moral, qualidade de uma pessoa que não se desanima, que não se deixa abater (Larrosa, 2008). A resiliência é, portanto, a capacidade de desenvolvimento com saúde e perspectivas positivas sobre o futuro do indivíduo, mesmo diante de acontecimentos que tornam o cotidiano desses indivíduos relativamente desestruturado, em condições complexas de vida, além de traumas – graves, em muitos casos. A resiliência é a capacidade universal do ser humano em lidar, superar, aprender e/ou até mesmo se transformar a partir dos imprevistos inevitáveis da vida. Tal capacidade de se proteger oferece condições para uma pessoa, um grupo e/ou uma comunidade prevenir e/ou superar os efeitos prejudiciais provocados pelas adversidades da vida (Theis, 2003).

De acordo com Cyrulnik (2003), resiliência é um composto de aspectos em harmonia onde o indivíduo adentra em um contexto relacionado a afeto, sociedade e cultura. Nesse sentido, o autor afirma que a resiliência é a arte de navegar em uma tempestade, onde o trauma – tempestade – conduz o indivíduo para um caminho inadequado para a sua saúde psicológica e a resiliência, por sua vez, instrumentaliza a pessoa para lidar com tais situações e sair fortalecido delas.

 

Para Melillo & Ojeda (2005), a resiliência é a capacidade dos indivíduos de superarem as consequências de uma determinada situação – problema – na qual estão inseridos, bem como lidar com tal situação de maneira que atinjam um grau de fortalecimento que lhes possibilitem obterem uma considerável proteção frente às intempéries inerentes a caminhada humana. Nesse sentido, Morais & Koller (2004) afirmam que, ao saírem fortalecidos de uma situação por meio da resiliência, fica caracterizada a aquisição dessa competência para a superação de eventos adversos análogos e/ou pontuais, não significando que a pessoa sairá da situação completamente ilesa, pois isso caracterizaria o conceito de invulnerabilidade, o qual não se aplica ao presente estudo. Sintetizando os conceitos de Melillo & Ojeda (2005) e Morais & Keller (2004), Taboada et al. (2006) conceituam que resiliência é a capacidade de determinados indivíduos de superarem as adversidades da vida.

Para alguns autores como Larrosa (2008), a resiliência é um recurso que faz parte da natureza humana, porém, que também pode ser desenvolvido durante todo o ciclo vital do indivíduo. A resiliência pode ser desenvolvida de maneira mais ampla por meio de situações e condições favoráveis no ambiente externo do ser humano, ou seja, por meio do apoio de pessoas – amigos, família, colegas de trabalho, vizinhança – e/ou instituições – igreja, escola, centro de saúde, organizações e/ou associações sociais, políticas, entre outros –, contribuindo esse apoio sobremaneira na ativação das capacidades individuais para um enfrentamento saudável de acontecimentos danosos, principalmente aqueles com potencial para traumatizar.

O termo resiliência também é entendido como a capacidade de adaptação frente a um contexto de mudança, pela utilização de recursos positivos para enfrentar as adversidades (Sapienza & Pedromônico, 2005; Souza & Cerveny, 2006).

O construto da resiliência também está relacionado à concepção referente à adaptação positiva e, nesse sentido, Infante (2005) cita que tal adaptação acontece nos momentos em que o ser humano atende às expectativas da sociedade em uma determinada fase do desenvolvimento, ou então, quando não ocorrem sinais de desajuste. Diante de tais situações, mesmo com a presença de infortúnios – fatores de risco –, a adaptação positiva ocorre devido à presença da resiliência, determinada com base no desenvolvimento das características peculiares de cada indivíduo, ou ainda, pela falta de comportamentos rompedores.

Existe uma tendência de diversos estudiosos em adotar um conceito mais complexo referente ao construto da resiliência, entendendo-o como multifacetado e dinamico, composto pela ação mútua de processos sociais e intrapsíquicos de risco e proteção –, cooperando para que o indivíduo, em condições traumáticas, tenha a possibilidade de viver em condições saudáveis (Fajardo, 2012).

A resiliência é um aspecto natural em determinadas pessoas, com potencial para desenvolver-se de maneira significativa frente a situações problemáticas em seu cotidiano. Estudos confirmam que resiliência é a capacidade de resistir e resolver situações de crise, cuja habilidade pode ser adquirida e incentivada.

Com base nesses estudos, a presente pesquisa estudou os principais aspectos relacionados à psicologia positiva, com ênfase para o constructo da resiliência, destacando os seguintes questionamentos: Quais as principais características da resiliência psicológica? Quais as principais contribuições dessa área para a psicologia?

Em relação ao objetivo deste estudo, foram analisados os aspectos referentes à psicologia positiva e à resiliência psicológica, caracterizando os principais fatos históricos e uma breve descrição sobre a evolução do conceito de resiliência no ambiente das ciências humanas, principalmente, na área da psicologia. O presente trabalho foi desenvolvido por meio de revisão bibliográfica narrativa e, dentre os autores citados, estão: Assis et al. (2006); Bhana & Bachoo (2011); Christopher et al. (2008); Dell´Aglio et al. (2006); Fajardo (2012); Fourie & Theron (2012); Infante (2005); Junqueira (2003); Lopes & Martins (2011); Melillo & Ojeda (2005); Peterson (2013); Reppold et al. (2012); Schviger (2010); Seligman (2011); Snyder & Lopez (2009); Taboada et al. (2006); Ungar (2011); Waterman (2013); entre outros.

 2. Psicologia Positiva: Breve Histórico

De acordo com Seligman & Csikszentmihalyi (2000), a partir da Segunda Guerra Mundial, a psicologia focou, principalmente, na cura e na reparação de danos psicológicos dos indivíduos – traumas e infortúnios vários. Desta maneira, poucos especialistas da área de psicologia preocuparam-se com as características relacionadas aos aspectos positivos da personalidade, aspectos esses que também são responsáveis pelo desenvolvimento do ser humano, bem com da sociedade. Esses autores sugerem ainda, como propósito da psicologia positiva, a promoção de ajustes na essência da psicologia, de forma que as características relacionadas à saúde dos indivíduos também tenham a devida atenção por parte dos profissionais envolvidos nos diversos segmentos dessa ciência.

Determinados autores do espectro psicológico afirmam que a psicologia positiva surgiu no período em que Martin E. P. Seligman atuou como presidente da APA – American Psychological Association, lançando aos profissionais da área o desafio de desenvolver uma psicologia baseada nas forças e virtudes do ser humano, incluindo a noção sobre o que há de melhor nos indivíduos (Christopher et al., 2008).

Alguns autores questionam a afirmação de que a resiliência psicológica surgiu em um período recente, pois entendem que a origem desse constructo ocorreu antes mesmo do século XX. Nesse sentido, Rogers e Maslow já atuavam com temas similares aos conceitos apontados pela psicologia positiva, afirmando ter a resiliência origem na psicologia humanista. Portanto, com base nesse ponto de vista, a psicologia positiva não seria um movimento recente, e sim, a ampliação de um processo já desenvolvido e debatido há muitas décadas (Rich, 2001).

Voltando para os autores que defendem a relação entre a psicologia humanista e a psicologia positiva, Taylor (2001) cita que Seligman estava equivocado ao afirmar que a psicologia humanista não teria condições de ser predecessora da psicologia positiva, argumentando que aquela não desenvolveu tradição em pesquisas, além de apresentar características narcisistas e anticientíficas. Esse autor, diante de tais afirmações de Seligman, confirma que há uma tradição de estudos que remonta a Willian James, o qual é considerado o pioneiro da psicologia positiva. Além disso, a psicologia humanista não é narcisista e tampouco anticientífica, segundo esse mesmo autor (Taylor, 2001), pois tais equívocos ocorrem diante de situações onde não é realizada uma análise adequada sobre o humanismo, com resultados negativos e, inclusive, sendo confundido com outras áreas da psicologia.

Watermann (2013) também está entre os autores que defendem a relação entre a psicologia humanista e a psicologia positiva. Porém, o autor cita que, mesmo compartilhando objetivos similares, há distinções significativas de ordem filosófica que as distinguem uma da outra. Tais distinções ontológicas, epistemológicas e práticas iriam induzir seguidores das duas correntes psicológicas a buscarem e desenvolverem o potencial e o bem-estar dos seres humanos de maneira diferenciada.

Para Froh (2004), a fenomenologia e o existencialismo são duas áreas que influenciaram significativamente o desenvolvimento da psicologia humanista. A insatisfação com o padrão baseado na doença, adotado pela psicologia, fez os especialistas dessa área adotarem o conceito de que os seres humanos possuem uma tendência de ordem natural na busca do seu próprio crescimento, bem como na busca do seu desenvolvimento. Ainda segundo esse teórico, os psicólogos humanistas citam que a psicologia deve considerar fenômenos positivos como amor, coragem e felicidade. Tal raciocínio fez com que esses profissionais se distanciassem do conceito tradicional, com a finalidade de compreender – de forma abrangente – o ser humano e, com base nesse contexto nasce, então, a psicologia humanista, em conflito com a psicanálise e o behaviorismo.

Um dos principais momentos da história da psicologia, essencial para compreender a trajetória da psicologia positiva, é a introdução da psicologia no mercado profissional após o período da Segunda Guerra Mundial. A partir daí, o segmento da psicologia focou nos transtornos psíquicos decorrentes das demandas geradas no período pós-guerra (Seligman, 2004; Seligman & Csikszentmihalyi, 2000).

No início dos anos 70, verifica-se uma alta demanda relacionada a pesquisas referentes aos problemas psicológicos, bem como as consequências negativas ocorridas em ambientes estressores (Giacomoni, 2002). Neste período, o segmento da saúde, de maneira geral, também sofria determinadas transformações, como por exemplo, em 1947, a WHO – World Health Organization (OMS – Organização Mundial da Saúde) inseria o padrão biopsicossocial para compreender o conceito de saúde, em contraponto ao padrão biomédico vigente da época, disseminando esta ideia, envolvendo também características relacionadas à qualidade de vida do ser humano (WHO, 2006).

Somente a partir do ano de 1998, a mudança do foco no sofrimento para o enfoque na saúde atinge a psicologia, com o surgimento da psicologia positiva. Até o final do século XX, a área da psicologia havia negligenciado pesquisas sobre as características positivas do ser humano, levando em consideração especialmente aquelas relacionadas ao sofrimento (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000; Paludo & Koller, 2007).

O objetivo da psicologia positiva é focar nas virtudes e forças do ser humano para prevenir e lidar com os problemas de ordem psicológica (Seligman, 2002). A partir deste momento, várias pesquisas têm sido realizadas com este objetivo – felicidade, otimismo, resiliência, bem-estar, entre outros. Nesse contexto, o bem-estar é o tema principal do estudo referente à psicologia positiva (Seligman, 2011).

De acordo com Giacomoni (2002), o surgimento de pesquisas empregando o conceito de bem-estar é verificado quando cientistas sociais e do comportamento são despertados pelo interesse no estudo sistemático sobre a felicidade do ser humano, analisado por meio do construto do bem-estar subjetivo (BES).

No entanto, há um forte debate relacionado ao hedonismo característico do uso deste termo, o qual vincula – em muitos casos – experiências de bem-estar somente com as experiências de prazer e gratificação, deixando de considerar outras características importantes sobre a experiência de felicidade do ser humano. Desde o início do século XXI, porém, o conceito de bem-estar tem sido reestruturado com base na psicologia positiva e compreendido a partir de cinco elementos essenciais: emoções positivas, engajamento, sentido, realização e relacionamentos positivos (Seligman, 2011).

Em relação ao Brasil, o início da psicologia positiva aconteceu por meio de pesquisas relacionadas à resiliência, devido aos aspectos de vulnerabilidade, bem como situações de risco presentes no contexto nacional. A primeira obra sobre psicologia positiva desenvolvida e publicada por autores brasileiros foi “Resiliência e Psicologia Positiva: Interfaces do Risco à Proteção”, desenvolvida com base em uma coletânea de dez artigos científicos publicados por 16 colaboradores da área da psicologia, entre os anos de 2004 a 2006 (Dell´aglio et al., 2006). Destaca-se também a criação da Associação de Psicologia Positiva da América Latina (APPAL), em 2010, com a realização da 1º Conferência Brasileira de Psicologia Positiva, na cidade do Rio de Janeiro, em 2011.

2.1 Principais Características da Psicologia Positiva

A psicologia positiva é o campo da psicologia responsável por estudar os princípios psicológicos do bem-estar e da felicidade, bem como os pontos fortes e virtudes do ser humano (Seligman, 2011).

De acordo com Peterson (2006), no final da década de 1980, um grupo de psicólogos pesquisadores dos Estados Unidos começou um movimento com foco na pesquisa científica sobre o que faz a vida ser digna de ser vivida. Tal movimento ficou conhecido por psicologia positiva, a qual pode ser entendida como um conceito guarda-chuva para a análise de emoções, aspectos individuais e instituições positivas, centrado na prevenção e desenvolvimento da saúde mental dos seres humanos. Desta forma, o principal interesse da psicologia positiva é proporcionar um entendimento científico em relação às forças e virtudes humanas, cujo foco está na felicidade e nas eventuais intervenções no sentido de amenizar as dores do indivíduo, bem como possibilitar um bem-estar subjetivo (BES). O caráter científico destacado por esse movimento demonstra que a psicologia positiva não deve ser comparada com atividades como autoajuda, esoterismo, crença espiritual e/ou qualquer religião (Seligman et al., 2005).

Para Peterson (2013), a psicologia positiva não é uma versão reciclada do pensamento positivo. Trata-se de um chamado importante para a ciência psicológica preocupar-se mais com as forças do ser humano do que com as fraquezas, devendo contribuir com a construção de qualidade de vida, buscando os elementos e aspectos que fazem a vida do ser humano realmente valer a pena.

Ao direcionar os estudos científicos para as características humanas positivas, como forças e virtudes, a ciência psicológica estará aprendendo como prevenir doenças mentais e físicas, e os psicólogos poderão desenvolver métodos para ajudar pessoas e comunidades a enfrentarem as vicissitudes da vida, mantendo níveis satisfatórios de felicidade e bem-estar (Scorsolini-Comin & Santos, 2009; Peterson, 2013).

É importante ressaltar que a psicologia positiva, como movimento, não está criando uma nova área do saber psicológico, mas propondo um exercício teórico e, especialmente, metodológico, no sentido de orientar a visão que se lança aos fenômenos investigados para os aspectos positivos e saudáveis do desenvolvimento, visando priorizar a prevenção ao tratamento (Seligman et al, 2005; Scorsolini-Comin & Santos, 2009).

De acordo com Seligman & Csikszentmihalyi (2000), a psicologia positiva possui três áreas de investigação científica situadas nos níveis subjetivo, individual e grupal. No nível subjetivo, o interesse concentra-se nos estudos das experiências subjetivas de valor, como bem-estar subjetivo e satisfação de vida (no passado), otimismo e esperança (no futuro), felicidade e flow (no presente). No nível individual, busca-se compreender os traços positivos ligados às características e ao funcionamento de cada pessoa, como capacidade para o amor, talentos, habilidades interpessoais, generosidade, perdão e sabedoria. No nível grupal, são analisadas as virtudes cívicas e as instituições que contribuem para que os indivíduos tornem-se cidadãos melhores, com foco em responsabilidade, altruísmo, tolerância e ética no trabalho (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000).

Ao levar em consideração que um dos objetivos principais da psicologia positiva é promover o potencial e o bem-estar humano, pode-se entender que ela pode ser aplicada por meio de intervenções em diversos campos, como o clínico, o escolar e o organizacional. O papel da intervenção positiva é auxiliar os indivíduos a construírem uma vida prazerosa, engajada e com sentido (Duckworth et al, 2005; Snyder & Lopez, 2009).

A prevenção primária envolve a identificação do que pode ser ruim e neutralizá-lo antes mesmo de ocorrerem seus efeitos deletérios. O planejamento de carreira pode ser visto como prevenção primária. Antes que o colaborador enfrente conflitos – de ordem pessoal e/ou de origem profissional – em função de sua carreira, o mesmo pode planejar o que deseja para si, desenvolver as habilidades necessárias para atingir o cargo almejado e analisar se a organização lhe proporcionará as oportunidades de crescimento desejadas. A prevenção secundária se dá quando o problema já está instalado e pode-se pensar em como consertá-lo. Exemplos de intervenções que podem ser desenvolvidas nesse sentido são aquelas que visam dar apoio a um aluno quando ele já está demonstrando problemas escolares. Na área clínica, considerando um quadro depressivo já diagnosticado, podem-se realizar intervenções com o sentido de treinar cognitivamente o sujeito para definir objetivos e desenvolver habilidades sociais em sua vida. Em consequência, os pensamentos negativos e contraproducentes serão alterados (Snyder & Lopez, 2009).

A potencialização primária sugere ações no sentido de tornar a vida boa. Uma técnica utilizada é a meditação. A contemplação do momento presente, do ambiente interno e externo do indivíduo permite a experiência de prazer, paz e serenidade. E, por fim, a potencialização secundária tem por objetivo tornar a vida o melhor possível, aumentando os níveis positivos individuais e/ou coletivos, para se chegar ao máximo em termos de satisfação e desempenho na vida. Algumas experiências pessoais podem oferecer essa potencialização secundária, tal como observar um indivíduo agindo, por exemplo, com atitudes que provoquem profunda admiração – superação de limites (Shapiro et al., 2002).

3. Resiliência Psicológica: Breve Histórico

Nos anos 70, os estudos sobre resiliência psicológica receberam elevada atenção (Bhana & Bachoo, 2011; Masten, 2001), mas as discussões referentes ao tema em eventos científicos começaram a surgir a partir do final do século XX (Yunes, 2003). Dentre os primeiros estudos investigativos a respeito deste construto, é possível verificar que a resiliência ainda não tem um conceito estruturado de forma consensual, bem como ainda não há uma tradição empírica sólida (Cecconello, 2003; Junqueira & Deslandes, 2003; Masten, 2001; Masten & Reed, 2002; Poletto & Koller, 2006; Poletto et al., 2004; Rutter, 1993; Yunes, 2001; Yunes, 2003).

De maneira geral, os debates referentes às questões conceituais da resiliência psicológica destacam os procedimentos de adequação positiva em resposta ao confronto com adversidades da vida do ser humano (Bhana & Bachoo, 2011; Fourie & Theron; 2012; Masten, 2001; Masten, 2007; Masten & Reed, 2002; Poletto & Koller, 2008; Reppold et al., 2012; Rolland & Walsh, 2006; Rutter, 2012; Rutter, 2013; Yunes & Szymanski, 2001).

Na linha do tempo da psicologia, o estudo sobre resiliência pode ser fragmentado em duas linhas de pensamento principais: individual e familiar. Com base na maior parte dos estudos referentes ao foco individual do ser humano, as crianças e/ou adolescentes são analisados sob uma perspectiva onde traços e disposições pessoais fazem parte do núcleo de desenvolvimento da resiliência (Yunes, 2003). No caso do foco familiar, há uma transformação sobre o direcionamento das pesquisas e conceitos, considerando o meio processual e relacional da resiliência. Assim, destaca-se a possibilidade de desenvolvimento da resiliência por meio do relacionamento com pessoas – família, amigos, colegas de trabalho, vizinhança, entre aqueles que façam parte da vida social do indivíduo –, partindo do princípio de que estas pessoas trazem um significado – um valor – importante ao cotidiano desses indivíduos, durante uma situação de risco (Masten & Obradovic, 2006; Rutter, 1993; Ungar & Liebenberg, 2011).

De volta para a origem dos estudos relacionados à resiliência, Martineau (2001) afirma que somente após 1.040 pesquisas referentes à coping e competência foi que eles tiveram início, mais especificamente no momento em que psicólogos infantis analisaram a condição de crianças em situação de vulnerabilidade relacionada a traumas. Masten (2001), Masten & Coatsworth (1998), Masten & Powel (2007), Rutter (1985) e Waller (2001) também destacam que, por meio de pesquisas realizadas em crianças com risco de desenvolvimento de problemas psicopatológicos ou comportamentais – devido a aspectos genéticos ou de ambiente –, os especialistas começaram a analisar aquelas que estavam submetidas às mesmas situações de risco, mas que se desenvolviam de maneira saudável.

3.1 Principais Características da Resiliência Psicológica

Estudos relacionados à resiliência psicológica são cada vez mais frequentes para diversas finalidades. A variação no método sugere uma ausência consensual sobre o conceito desse fenômeno, o que Yunes & Szymanski (2005) denominam de nós conceituais e metodológicos. A variação no uso de metodologias é muito importante para ampliar a compreensão de constructos científicos, porém, o problema é que ainda não há um consenso referente à melhor forma de realizar uma mensuração e/ou análise sobre as questões referentes à resiliência (Lopes & Martins, 2011; Luthar et al., 2000; Masten & Obradovic, 2006; Reppold et al., 2012).

Segundo Cicchetti & Garmezy (1993) e Libório et al. (2006), a medida que é desenvolvido o processo de resiliência, distintas metodologias de avaliação podem ser usadas. Assim, com base em uma definição teórica clarificada sobre o conceito analisado, é possível obter uma melhor concordância entre os especialistas, promovendo um nível consensual mais elevado, além de fortalecer a área da pesquisa com base em materiais fundamentados de forma metodológica e com resultados mais sólidos (Cicchetti & Garmezy, 1993).

Em relação à viabilidade do processo responsável por mensurar a resiliência na sociedade brasileira, verificam-se tendências diferentes. Alguns especialistas realizaram ajustes transculturais e pesquisas com evidências, validando escalas que analisam os níveis desse construto (Lopes & Martins, 2011; Pesce et al.; 2005).

Nesse sentido, Yunes (2001) destaca que a utilização de escalas – ou qualquer outro teste psicométrico – é de extrema importância para auxiliar no processo de compreensão de pessoas resilientes e não resilientes.

 4. Considerações Finais

O presente estudo reuniu uma síntese de importantes pesquisas brasileiras e internacionais, com a participação de autores renomados na área da psicologia positiva, com ênfase na resiliência psicológica, caracterizando a complexidade que esta área assume diante dos desafios presentes na sociedade e também no ambiente profissional, entre outros ambientes com potencial para propiciar a ocorrência de adversidades na vida do ser humano.

Resiliência, de acordo com os autores citados nesta pesquisa, é a capacidade de desenvolvimento com saúde e perspectivas positivas sobre o futuro do indivíduo, mesmo diante de acontecimentos que tornam o cotidiano deste indivíduo relativamente desestruturado, em condições complexas de vida, além de traumas – graves, em muitos casos. Ser resiliente é a capacidade universal do ser humano lidar, superar, aprender e/ou até mesmo se transformar a partir dos imprevistos inevitáveis da vida. Tal capacidade de se proteger oferece condições para uma pessoa, um grupo e/ou uma comunidade prevenir e/ou superar os efeitos prejudiciais decorrentes de experiências de vida adversas.

A resiliência exige o ‘cuidar de si’ com base em um conjunto de características relacionadas à autoimagem e autoestima, com influência dos ambientes nos quais o indivíduo está inserido. Com relação à felicidade, o bem-estar subjetivo está diretamente conectado a uma série de aspectos positivos vivenciados pelo sujeito no seu cotidiano, cujas características físicas, psicológicas e sociais, definem a qualidade de vida desse indivíduo. Assim, quando o ser humano percebe-se em harmonia, as adversidades podem tornar-se mais suaves, clarificadas e compreensíveis, podendo gerar um aumento dos componentes psicológicos da resiliência, incrementando os potenciais positivos individuais e/ou coletivos para superar os desafios mais significativos da vida.

Com base nas obras e autores citados, o presente estudo verificou a importância da resiliência, tanto no ambiente pessoal e social, quanto no ambiente profissional. Este estudo forneceu, no nosso entendimento, subsídios significativos para posteriores debates e avanços no estudo da psicologia positiva, com ênfase no   da resiliência psicológica do ser humano, de forma que esta área possa contribuir cada vez mais para a superação de desafios na vida das pessoas, bem como prevenir e/ou tratar questões relacionadas à saúde física e/ou psicológica dos indivíduos em geral.

Partindo do princípio que resiliência é a prática de resistir a, resolver quando possível e sair fortalecido de situações de crise, habilidade essa que pode ser praticada e incentivada, é possível afirmar que ela apresenta-se como um recurso de extrema importância para a saúde das pessoas. Por exemplo, a área da educação pública do Brasil enfrenta diversos desafios que podem desencadear problemas de saúde para os envolvidos, tais como: acúmulo de atividades; condições insatisfatórias no ambiente de trabalho; salários não condizentes com o perfil de docente exigido pelo sistema de ensino; metas impraticáveis diante das dificuldades políticas e educacionais em todo o território brasileiro; também outros aspectos relacionados a situações de exaustão emocional, proporcionando, dessa forma ,uma série de riscos para a higidez de profissionais dessa área. Tal situação pode ocorrer em qualquer outra área e/ou segmento social e/ou mercadológico. Em casos dessa natureza, a resiliência pode servir como um importante recurso para a prevenção e/ou tratamento da saúde das pessoas, tanto no ambiente social quanto no ambiente profissional

PorGelson Daniel

Narcisismo na Contemporaneidade: Caracterização e Desafios da Prática Clínica

O presente artigo visa contemplar as noções sobre o narcisismo para além da ideia corriqueira, buscando a compreensão no âmbito da Psicologia Clínica, sobretudo, sob o olhar psicanalítico. Discorre-se sobre as características das pessoas que apresentam este tipo de personalidade, o narcisismo como etapa evolutiva, quando passa a se constituir em um quadro psicopatológico e a prática clínica ilustrada com vinhetas clínicas.

Palavras-chave: Narcisismo, Psicologia Clínica, Psicanálise, Contemporaneidade.

O termo Narcisismo remete ao mito de Narciso, que se apaixonou pela própria imagem. A pessoa com características narcisistas é percebida como um suposto adorador de si mesmo, apresentando elevada autoestima e idealização de si mesmo (Roudinesco, 1999 e Figueredo, 2003).

Porém, os narcisistas, conforme Lasch (1987) se caracterizam pela superficialidade emocional, medo da intimidade, hipocondria, pseudo autopercepção, promiscuidade sexual, horror à velhice e à morte. Além disso, para o mesmo autor são descrentes quanto à possibilidade de transformar o futuro, desprezam o passado e vivem para o momento, perdendo o sentido da continuidade histórica.

O que inspira a preocupação constante com a própria pessoa é a ausência de um estável amor interior por si mesmo, obrigando-a a usar os outros para confirmá-lo. Assim preocupações como, “devo ser importante”, apontam que algo está errado com o seu amor por si mesmo, vive dominado pela ansiedade, pela dependência, pela necessidade de aprovação pelo outro. Diante das inevitáveis frustrações que essa dinâmica lhe custa, não tem sido raro deparar-se com pessoas com tais características dentro de uma prática clínica em que pode ser encontrado por meio de queixas como: exigência com o corpo e a estética, vazio interior e depressão.

Assim, concorda-se com o pensamento de Zimerman (1999) em que afirma que as pessoas que sofrem de vazios, tem uma ausência de reconhecimento de suas emoções, em realidade, elas estão cheias de buracos negros, resultantes de uma rígida carapaça, uma “concha autística”, que se forma contra a ameaça de um sofrimento provindo de frustrações impostas pela realidade exterior.

 

Discorrer sobre o narcisismo é, sem dúvida alguma, um grande desafio por ser um dos temas mais relevantes dentro da psicopatologia atual. O conceito de narcisismo passou por uma evolução de diferentes enfoques dentro da teoria psicanalítica e contou com a contribuição de diversos autores.

De maneira geral, quando se faz menção ao narcisismo, logo se vem à mente um espectro de significados, mas destacam-se palavras ligadas à perfeição, vaidade, autossuficiência, superioridade, egoísmo entre outros. Tal a importância do conceito que, conforme apontado por Zimerman (1999) e Figueiredo (2003), apreende-se que tanto o narcisismo quanto o investimento objetal mostram-se fundamentais para a formação do sujeito, uma vez que são os investimentos narcísicos, oriundos dos cuidados maternos, que confirmarão ou não à criança o seu lugar como objeto de amor, estando, portanto, na base do que conhecemos por autoestima.

Faz-se necessário, esclarecer que existe uma diferenciação entre a etapa evolutiva normal vivida por todo ser humano, que conferem ao homem características sadias, que estão relacionadas com a formação da autoestima, de um quadro de narcisismo patológico ou transtorno narcisista, que confere acarreta ao indivíduo uma carga de sofrimento emocional. Para Macckinon, Michels e Buckley (2008) o narcisismo organiza a personalidade desde o saudável até o patológico, sendo que sua face saudável é fundamental para manter a convicção de que a pessoa é valiosa e que aceita aplausos e recompensas por suas conquistas e realizações, ao mesmo tempo em que compartilha e aceita o papel das outras pessoas neste sucesso.

Associado a isso, já quando há algum tipo de transtorno narcísico, corrobora-se as ideias de Roudinesco (1999) na qual sugere que o sofrimento psíquico manifesta-se sob a forma de depressão, em que se misturam a tristeza, a apatia, a busca da identidade e o culto a si mesmo. A este respeito, concorda-se com Berlinck (2008) em que se acredita que a depressão se tornou um fenômeno frequente no mundo moderno a ponto de ser considerada como uma reação natural deste tempo.

De acordo com os autores Roudinesco (1999) e Wanderley (1999) as condições sociais predominantes da atualidade tendem a desenvolver traços narcisistas, em vários graus, em todos. Estas condições recursivamente moldaram as famílias, que por sua vez, são a matriz de identidade do homem moldando, assim, uma sociedade narcisista, depressiva, apática e vazia.

A este respeito, concorda-se com Figueiredo (2003) quando este aponta para os fenômenos sociais e psíquicos que se está experimentando no século XXI: “A ameaça de destruição da humanidade cedeu lugar a uma cultura do individualismo esquizóide, na qual, entre mortos e feridos, todos nos salvamos, cada um na sua e nada entre nós” (p. 52-53). Com isso, evidencia-se o inegável sofrimento subjacente destas pessoas que apresentam alta insatisfação, uma enorme inveja do sucesso dos outros e um grande vazio interno.

Nesse sentido, Wanderley (1999) assinala que o homem narcísico se diz tolerante, permissivo e liberado, mas em contrapartida diante de tanta liberdade, na busca incessante do prazer, sente-se vazio. Além disso, nesta perspectiva esse sujeito torna-se e indiferente a tudo e a todos que não lhe dizem respeito diretamente.

Não obstante, suas ocasionais ilusões de onipotência, o narcisista depende dos outros para validar sua autoestima. Ele não consegue viver sem uma audiência que o admire, mesmo com sua aparente liberdade dos laços familiares e dos constrangimentos. Essa inclinação para o mundo externo não o impede de ficar só consigo mesmo ou até mesmo de se exaltar em sua individualidade. Pelo contrário, ela contribui para sua insegurança, que ele somente pode superar quando vê seu “eu grandioso” refletido nas ações e nas atenções das outras pessoas, ou se ligar àqueles que irradiam sua celebridade, poder e carisma. “Para o narcisista, o mundo é um espelho, ao passo que o individualista áspero o via com o um deserto vazio, a ser modelado segundo seus próprios desígnios” (Lasch 1983 p. 30 citado por Wanderley 1999).

De fato, a lógica narcisista baseia-se na busca de um ideal. O uso do mecanismo da idealização de si mesmo e do outro, justifica-se pela necessidade constante da fuga da realidade interna, qual seja, a depressão. Para Mackinon et al (2008), essa categoria psicopatológica surgiu com o esforço dos psicoterapeutas em compreender esse grupo de pacientes considerados difíceis, uma vez que não eram considerados psicóticos e nem enquadravam-se na perspectiva neurótica. Estes pacientes são frequentemente vistos pelo mundo com uma alta capacidade funcional e sem psicopatologia óbvia, já que suas questões, na maioria das vezes, são internas e relacionadas com a forma de enxergarem a si mesmo e aos outros.

Além disso, não é possível falar em narcisismo sem trazer para esta reflexão os conceitos de narcisismo primário e secundário, propostos por Freud.  Em “Sobre o narcisismo: uma introdução” (1914), Freud concebeu a ideia de que o sujeito toma seu próprio corpo como sendo ao mesmo tempo fonte e objeto da libido sexual. Assim, o narcisismo primário é uma etapa evolutiva que ocorre após a etapa do autoerotismo, e baseia-se no investimento que objetos externos fazem ao bebe, porém ainda não há uma diferenciação entre eles.

 

De acordo com Mackinon et al (2008) enquanto patologia narcisista existe um continuum desde a forma branda até as mais graves. O paciente narcisista mais comprometido apresenta uma oscilação entre dois estados do sentimento: grandiosidade e um senso de insignificância. Destaca-se a grande contradição nestes pacientes se por um lado precisam do outro como fonte de gratificação e admiração constantes, por outro lado, evitam qualquer intimidade e interesse na relação.

A este respeito, recorre-se ao conceito de posição narcisista, proposto por Zimerman (1999) que auxilia na compreensão da construção de uma configuração narcisista que cada sujeito vivencia, e que depois toma seus contornos e singularidades próprias, de acordo com a constituição do sujeito e da interação deste com o ambiente.  Esta posição narcisista pela qual todos passam, refere-se ao momento do desenvolvimento no qual ainda não se estabeleceu a diferenciação entre o eu e o outro.

De acordo com Zimerman (1999), a posição narcisista, é um estado necessário do desenvolvimento psíquico, formado por diversos fatores psíquicos (tais como defesas, angustias entre outros), vivenciada logo no início da vida, que terá repercussões na construção da sua personalidade até a vida adulta. Esta posição e marcada por uma total indiferenciação do bebê em relação a mãe. Todo bebê passa por uma fase de simbiose com a mãe em que ele “imagina” que a sua genitora é uma extensão dele, ou seja, para o bebê ele e a mãe estão fundidos. Durante esta fase de indiferenciação o infante pode formar uma ilusão onipotente de uma independência absoluta, já que tudo o que ele necessita e deseja, encontra-se nesta relação simbiótica.

 No entanto, no decorrer do desenvolvimento o contato com realidade vai rompendo com essa onipotência e evidenciando que o que existe, na verdade, é um estado de absoluta dependência. Por isso, a separação da mãe, por meio da entrada de um terceiro na relação mãe-bebê torna-se fundamental para o estabelecimento de frustrações necessárias em direção ao reconhecimento e aceitação da incompletude e falta. Se o bebê não passa por este processo, ou seja, se ele permanece na ilusão da independência e completude, ele poderá ter dificuldades em suportar a realidade. Neste sentido, ele pode estar constantemente buscando aquela satisfação perdida, quais sejam, sentir-se poderoso e indispensável.

Para o sujeito narcisista, reconhecer que necessita de outros, demanda sofrimento. O sujeito pode então recorrer a mecanismos de defesa como negação e onipotência para fugir dessa realidade, para não ver ruir sua autoestima e sentimento de identidade. De modo geral, o sujeito passa pela vida tentando fugir do que Zimerman (1999) chama de verdades penosas, quais sejam: reconhecer que não é o único importante, que sofre dependência, perdas e separações. Esta necessidade poderá ser ampliada para tudo o revele um limite, como a morte, o envelhecimento e tantos “Nãos” que receberá ao longo da vida.

Associado a isto, elucida-se a dificuldade destes sujeitos em reconhecer seus limites: envelhecimento, morte, perda.  A este respeito cita-se como exemplo: Paciente J, 25 anos, ao agendar uma sessão para a terapeuta pediu a mesma um horário que já tinha outra pessoa marcada. Indignado o referido paciente solicitou que a profissional desmarcasse com o outro cliente para que fosse atendido. Este relato evidencia a dificuldade do mesmo em lidar com limite, não ser o único importante para a terapeuta e sentir-se desprivilegiado.

Nos transtornos narcisistas, evidencia-se um lado regressivo, por meio de características com baixa tolerância a frustração, uso de negações, inveja entre outros. Assim, é possível que o sujeito transforme sua insegurança e dependência em autossuficiência e onipotência. Neste sentido, evidencia-se o que Zimerman (1999) chama de núcleo de simbiose e ambiguidade.

Na relação com psicoterapeuta estes pacientes fazem uso de demasiada identificação projetiva, ou seja, uma forma de comunicação inconsciente em que aspectos do próprio sujeito são negados e atribuídos ao psicoterapeuta. Nesse sentido, pode-se apontar para a vinheta clínica do caso clínico da jovem, 21 anos, recém graduada e que não passou em um processo seletivo para uma vaga de emprego na qual sentia que tinha todas as condições para assumir:

eu não acredito que não passei, era o emprego dos meus sonhos e sempre me dediquei para isto. Acho que você já sabia que eu não iria passar. Acho que agora vou fazer outra faculdade e virar estagiária.

Complementando que já foi apontado até aqui é possível conhecer que podem ser delineadas outras características desta personalidade narcisista, tais como: possuir a tendência a generalizar alguma deficiência para a totalidade de sua pessoa.

Assim, pode funcionar em extremos, ou é o melhor, ou é o pior. As falhas e fracassos são sentidas como insucesso na totalidade de sua estrutura e sobre essa característica, aponta-se para o relato de um paciente, caso A, após um tempo de processo terapêutico:

eu acho que tive um insigth (pausa), eu visualizei um monstrinho correndo, fugindo de mim, daí eu cheguei devagarinho, e cuidei dele, fiz carinho e ele se acalmou…eu penso que não preciso mais lutar contra coisas que eu criticava em mim, sou vaidoso, ambicioso, quero ser mais, melhor…talvez se eu souber dosar pode ser bom…porque se eu ficar acreditando que tudo é ruim não vou a lugar nenhum.”

No processo terapêutico torna-se importante ajudar o paciente a integrar o seu self, superando essa lógica dualista de ser ou bom ou mal. Frisa-se, ainda, a auto exigência como uma outra característica comum entre os narcisistas. A fim de satisfazer um ideal de ego e ego ideal severos, a autoestima sofre uma espécie de pressão, ficando vulnerável. O ego ideal se constitui das ambições pessoais enquanto o ideal de ego representa a necessidade do sujeito em cumprir as expectativas e ideais dos pais e da sociedade.

 

A esse respeito, quando a autoestima do sujeito depende quase que exclusivamente do cumprimento da obrigação de corresponder às expectativas de si próprio ou de seus pais ou representantes, isto produz, inexoravelmente, sofrimento psíquico. Além disso, tal qual apontado por Lasch (1987) há uma profunda indiferença para com tudo que não seja interesse do próprio individuo, pois, o narciso da época atual é exigente e tirânico em relação a tudo e a todos que podem opor-se à satisfação dos seus desejos imediatos. Assim, uma configuração narcisista necessita satisfazer-se com o constante reconhecimento alheio que se torna uma espécie “alimento”. A busca incessante por riqueza, poder, inteligência, beleza entre outros, servem para as pessoas confirmarem seu valor.

Bleichmar (1983), utilizou o termo depressão narcísica para designar o quadro clínico em que, frustrações pequenas são sentidas como desamparo, humilhação e aniquilamento, por não atender as exigências do ideal de ego e ego ideal. Outra consequência da tentativa de super adaptação em relação as demandas do ego é a construção de um “falso self”, em que o sujeito afasta-se de seu verdadeiro eu, para ser aquilo eu crê que seja idealizado e desejado pelos outros e por ele mesmo. Esse “falso self” esgota facilmente o ego porque o sentimento de insatisfação é continuo, e obriga o sujeito a ultrapassar até mesmo seus limites.

De acordo com Zimerman (1999), na construção da personalidade narcisista, geralmente existem falhas ocorridas no processo de identificação com as figuras parentais, que pode ocorrer pela apreensão do discurso parental ou imitação ou degeneração do modelo introjetado. De qualquer forma, é na relação com as figuras importantes que a criança vai percebendo as necessidades e expectativas do meio e vai moldando sua personalidade, podendo até mesmo distanciar-se de seu eu verdadeiro. Zimerman (1999) utiliza o termo personalidade “camaleônica” para designar as pessoas que se adaptam conforme o ambiente, valorizando mais as demandas externas do ambiente que suas próprias ideias e desejos. No caso A, citado anteriormente, o paciente costumava-se sentir vulnerável e influenciável:

Sou um Maria vai com as outras, o outro é que é referência, se estou próximo de um gigante, poderoso, bem-sucedido, quero ser como ele, quando estou com um cara simples, que não se importa com isso, eu também quero ser como ele. Além disso, sinto que falo o que as pessoas gostariam de ouvir, sei agradar, fico preocupado se causei uma boa impressão, fico com medo dos erros aparecerem”.

Para que isto ocorra, é natural que falhas precoces sofridas pelo sujeito nos primeiros anos de vida, tenham prejudicado o desenvolvimento saudável de sua autoestima. Assim, a personalidade narcisista, frágil em sua confiança básica e segurança básica, passa a utilizar com frequência um jogo e comparações, para reafirmar ou descartar seu valor. Para a paciente M, 43 anos, caso B, a família dos outros sempre era melhor que a sua e desta forma passava a inferiorizar-se: 

Eu praticamente não tenho família e me contentar que a minha família não me ajuda, se eu tivesse a família igual à da fulana, tudo seria diferente, tudo dá errado para mim por causa desta família, mas se eu tivesse uma família com dinheiro como a dela, eu ainda seria melhor que ela. Acho que até fazer dieta seria mais fácil.

Para o psicanalista Zimerman (1999), Narciso e Édipo estão inter-relacionados, muitas vezes, um torna-se o refúgio para o outro. Nem sempre uma regressão narcisista resulta numa fuga do Complexo de Édipo, mas sim numa nova tentativa de fazer um começo diferente, com uma base de autoestima suficiente para superar o complexo de édipo e seguir de forma mais madura e saudável. Com tudo o que foi exposto, podemos delinear a matriz, as principais defesas e a psicodinâmica desta estrutura. Para Rosenfeld (1987) o narcisismo pode ser também classificado em dois tipos:

  1. Narcisista de “pele fina” que são aqueles que são supersensíveis, melindráveis, com uma extrema vulnerabilidade na autoestima, que se colocam num papel de vítima, para de alguma forma, assegurar o poder. Este tipo de narcisista reage com dor a tudo que parece rejeição, sensação de inferioridade e utilizam-se da ameaça suicida como uma forma de controle. Também é comum o sujeito “pele fina’ a oscilação entre estados emocionais e exige um trato especial do psicoterapeuta.
  2. Narcisista “pele grossa”. Este tipo apresenta-se de forma mais arrogantes, prepotentes, com uma atitude defensiva e agressiva, intimidadores, insensíveis aos aspectos de dependência. Aparentam superioridade, quando na realidade, apresentam um self destrutivo.  Estas pessoas funcionam a partir da “tríade maníaca”: atitude de controle, triunfo e desprezo. Na realidade essas características encobrem, dissimulam e protegem uma subjacente pele fina. Para evitar as dores das velhas e precoces feridas narcísicas, constroem uma espessa cicatriz de pele grossa. O narcisismo de pele grossa, aproveita seus conflitos como uma força para ir atrás das coisas que deseja, sua ferida é o seu “combustível”.

No caso do paciente A, podemos considerar seu narcisismo do tipo pele grossa, pois apesar de sua insegurança, baixa autoestima e medos de rejeição, abandono entre outros, ele transformava sua vulnerabilidade em força para lutar, superar, crescer, e ir em busca de seus sonhos e ideais. Apesar de suas feridas e conflitos, sentia-se um “guerreiro” e “não entregava os pontos” (palavras do paciente). Quando encontrava uma dificuldade transformava em desafio e buscava força para superar.  Já os narcisistas de pele fina adotam uma postura de desistência na vida. Como exemplo de uma estrutura tipo pele fina, citaremos trecho da sessão da paciente S, 21anos, em sua terceira faculdade (não concluída):

Quando eu piso nos corredores desta instituição de ensino sinto minhas pernas me puxando para fora. É como se elas me dissessem que não vou dar conta mais uma vez, aí eu prefiro nem ir mais e desistir”.

De acordo com Zimerman (1999), os pacientes que possuem muitas características da posição narcisista que pertencem ao que se chama “pacientes de difícil acesso”, que por sua vez, evidenciam a necessidade um manejo técnico cuidadoso e especial. Torna-se importante a análise dos aspectos narcisistas, em termos de grau (moderado ou intenso), e natureza (sadia ou patológica). Compreender o perfil do paciente narcisista: a base da estruturação do paciente narcisista encontra-se na forma como se desenvolveu o apego da criança com sua mãe. Situações de precoce fracasso ambiental, como privações maternas, possessividade narcisista da mãe em relação ao filho, falhas na empatia, falhas da capacidade de frustrar a criança adequadamente, depressão materna no momento primordial do investimento do olhar e amor da mãe para com o bebê, entre outros. Tais aspectos dificultam a construção do apego saudável e trazem consequências negativas para a autoestima da criança que apresenta como resultante disso tudo, um prejuízo na construção da confiança básica, da constância objetal, da passagem da indiferenciação para a de separação e individuação e da internalização de objetos bons, com largos “vazios” no espaço psíquico (Zimerman, 2004).

As situações que remetem a alguma forma de desamparo, constituem-se na chamada ferida narcísica que representam a vivência da dor precoce. Na tentativa de esconder a necessidade de dependência e cuidado, o medo das humilhações e abandono, o paciente narcisista, como salientado anteriormente, procura controlar as situações, usando todos os recursos que desenvolveu por compensação, tais como:  os atributos de beleza, poder, status, e inúmeras outras capacidades valorizadas por nossa cultura. Porém, permanece sob tensão, pois vive em luta constante para não sucumbir a depressão anaclítica, que remete ao primitivo desamparo e falta da figura materna. A principal angústia da estruturação narcisista que é a denominada de desamparo, que leva a ansiedade de aniquilamento e abandono.

Para o paciente narcisista conectar-se com a realidade interna é algo extremamente penoso, pois reconhecer as suas limitações e aceitação da realidade, pode se constituir uma ameaça ao seu ego frágil. Estes pacientes possuem ainda, um baixo limiar de tolerância a frustrações vindas do psicoterapeuta, pois teme decepcionar o mesmo e, assim, ser abandonado como foi percebido outrora na sua relação com a mãe.

No processo terapêutico destes pacientes, por meio do setting e do reconhecimento da relação transferencial – contratransferencial, que o terapeuta ajuda o paciente a distinguir as frustrações necessárias das desnecessárias e inadequadas. O terapeuta precisa, então, deixar bem claro o enquadre deste processo, pois é muito comum que o paciente narcisista tente desvirtuar o setting instituído e fazer com que o terapeuta quebre algumas regras técnicas. O paciente tenta fazer essa transgressão, pois ele precisa sentir que é diferente dos outros pacientes, ele quer sentir-se mais especial que os outros, pois isto seria uma prova do amor do terapeuta. Utiliza para isso, sedução, chantagem e desafios para tirar o terapeuta do seu papel e sentir assim mais igual e menos dependente. Pode-se citar novamente o caso do paciente A que, no primeiro contato telefônico deixou claro que por ter uma profissão reconhecida socialmente e que o tornava muito ocupado, esperava que a terapeuta conseguisse um horário especial para ele, que a terapeuta precisaria se esforçar para encaixar sua sessão. Assim ele se apresenta e se coloca nas relações, esperando ser tratado com privilégios, para confirmar seu frágil sentimento de superioridade.

Assim, consideramos importante enfatizar a necessidade da preservação da assimetria da relação terapêutica, uma vez que para o paciente narcisista é indispensável a colocação de limites, o estabelecimento da hierarquia e reconhecimento das diferenças entre ele e o outro. A este respeito, trazemos o caso da paciente M, 43 anos (Caso B, também já citada anteriormente) que insiste em chamar a terapeuta de “amiga”, por diversas vezes, no setting, foi colocado que esta relação não é uma interação de amizade e a mesma insistiu em chamá-la desta forma como uma tentativa de burlar a relação hierárquica entre elas.

A construção de uma aliança terapêutica é fundamental, incluindo aquilo que Bion chama de “pessoa real do analista”, pois o terapeuta está servindo como um novo modelo de identificação, que vai oferecer novas formas de enfrentar as angustias, funcionar como continente, e ajudar o paciente a pensar sobre as verdades. O terapeuta deve auxiliar o paciente a realizar uma integração do self, mostrando as conquistas e potencialidades dos pacientes bem como aquilo que é desafio para ele, ou seja, integrar a parte adulta e a parte infantil.

Com sua atividade interpretativa o psicoterapeuta propicia o crescimento mental do paciente. Para isso é necessário que o terapeuta esteja atento para seus próprios aspectos narcisistas, e não formar conluios inconscientes. O já citado paciente do caso A, tentava “seduzir” a terapeuta dizendo, por exemplo, que em sua família havia a prática de procurar sempre os melhores profissionais da cidade, que só se tratavam com pessoas muito competentes. Já a paciente do caso B, afirma que a vida dela é outra depois que se começou a se consultar com a melhor terapeuta da sua vida. Por esses discursos vemos a necessidade do paciente de confirmar para si mesmo sua importância com a ideia de ir ao que ele espera ser “melhor” terapeuta. Ao mesmo tempo comunica sua expectativa de que o profissional se dedique mais ao paciente e atenda suas expectativas. Um misto de reconhecimento, expectativas e autoafirmação, além de exibicionismo.

É muito comum no início do tratamento que o paciente narcisista faça uma idealização necessária do terapeuta, que se transforma no decorrer do processo. Da mesma forma, o paciente gostaria que o terapeuta o idealizasse, pois na logica psíquica essa seria uma garantia de não separação ou abandono.  O terapeuta deve estar atento também as resistências e contra-resistenciais, pois esta é uma indicação sobre o funcionamento do paciente. O terapeuta por vez necessitara ter uma boa capacidade de continência, para tolerar e transformar os sentimentos, tais como, a “fúria narcísica” (Kohut) que surge no decorrer do processo psicoterapêutico. De acordo com Kohut, algumas formas de transferência narcisista: fusional, na qual o paciente espera que o terapeuta adivinhe e dê conta das necessidades dele. O tipo “gemelar”, na qual o paciente espera que o terapeuta seja como ele é, que apoie e confirme suas teses. E a do tipo especular, na qual espera que o terapeuta reconheça sua grandiosidade exibida por ele.

O paciente do caso A costumava apresentar o seguinte padrão: todas as vezes que a terapeuta se afastava por motivo de férias ou algum imprevisto importante que necessitasse desmarcar a consulta, tornava-se comum a ausência na sessão seguinte ao retorno. Uma forma de demonstrar sua ambivalência com o afastamento da terapeuta. Ao mesmo que trazia à tona sua dúvida quanto a seu valor e aceitação, uma ferida primitiva, também precisava sentir-se no controle, e por isso a falta seguinte, para não se sentir tão vulnerável, já que apresentava medo da dependência afetiva.

Estou com medo de ficar dependente de ti, porque eu não consegui decidir aquilo, eu precisava da tua opinião, e não deu tempo, fiquei com raiva não de ti, mas porque eu queria muito vir… ás vezes eu preciso de ti e tu não estás”. 

Já a paciente do Caso B, ligou para terapeuta enquanto esta estava de férias, para certificasse que a terapeuta estava viva porque, segundo ela, precisava dela viva para continuar vivendo. Por fim, entende-se que os conceitos, a caracterização, bem como as vinhetas clínicas até aqui apresentadas são apenas alguns delineamentos da estrutura narcisista que vão além do que abordado. À guisa de conclusão, sabe-se que um paciente narcisista pode beneficiar-se de uma psicoterapia em que estejam claras as nuances desta estrutura pois, compreende-se que possuir uma dose de narcisismo, gostar-se, ser bom naquilo que faz, mas sem escravizar-se é saudável. Porém, sofrer por conta das próprias exigências, toma outro contorno que se afasta do narcisismo saudável. Como psicoterapeutas, vivencia-se cotidianamente a presença de pacientes com vários níveis de narcisismo e sofrimento, o delineamento do processo terapêutico bem-sucedido com empatia e cuidado pode descortinar o aprisionamento destes pacientes que tiveram seu desenvolvimento reprimido. Acredita-se que é possível vislumbrar um bom prognóstico, quando o gelo intrapsíquico e a angústia interior forem atingidas neste processo e propiciarem o crescimento emocional destes pacientes.

Sobre os Autores: Gelson Daniel

Referências:

 

 

 

PorGelson Daniel

As Implicações do Luto na Saúde da Família

(Tempo de leitura: 18 – 35 minutos)
Resumo: O conhecimento da finitude do homem desafia a representação da morte tornando o tema interdito, porém levando-o a refletir sobre a vida frente a esse fenômeno complexo, considerando os seus efeitos psicossociais, afetivos e cognitivos, já que a perda por óbito é considerada como um evento único vivido na peculiaridade de cada pessoa e as diferentes reações como mecanismos de ajustamento diante da dor e sofrimento presente no pesar. A influência do luto na saúde da família, bem como as suas implicações e do impacto no meio social, faz parte de um trabalho pautado na escolha do tema pela necessidade de reflexão acerca do assunto, visto a relevância da crescente demanda de pessoas que procuram ajuda de profissionais na área da saúde após passar por um momento de perda, possibilitando por meio do conhecimento, informações por meio de pesquisas, colaborando desta forma, para a produção de conhecimento no que se refere aos efeitos subjacentes do luto na saúde da família e na  busca de efetividade e intervenção no ajustamento adaptativo da família diante do processo de perda. Este trabalho tem como objetivo compreender as variáveis que podem comprometer a elaboração do luto no âmbito familiar, buscando esclarecer que esse processo é um fenômeno psíquico e necessário considerando os seus efeitos psicossociais, afetivos e cognitivos, bem como suas reações, significados e enfrentamento. O presente artigo foi baseado em uma pesquisa de levantamento bibliográfico, ancorada em fontes como: livros, contemplando autores clássicos e contemporâneos, e artigos encontrados nas bases de dados de reconhecimento científico como o Scielo e BVSpsi.
Palavras-chave: Morte, Família, Luto, Saúde.

1. Introdução

A morte é vista por vários ângulos como um fenômeno único, complexo permeado de estigmas e o luto como um processo vivenciado de forma singular trazendo como principais aspectos intenso sofrimento e isolamento (PARKES, 2009).

Muitos pesquisadores relatam fatores que contribuem para o processo do luto, afetando de forma significativa a dinâmica da família, alterando o bem-estar físico, social, econômico e emocional de todos os inseridos no contexto familiar.

Para Freud (1917) é previsível que a pessoa no processo de luto vivencie uma perda do interesse pelo mundo externo e que se distancie de tudo que se relaciona a memória do ente que perdeu e ainda pontua que depois de uma grande perda, não haverá substituto, ainda que esse vazio seja preenchido, mas ainda algo permanecerá, sendo essa a única maneira de perpetuar aquele vínculo que não se deixa abandonar.

O sentimento de solidão intensifica, quando não há espaços para família expor suas emoções, trazendo sofrimento e angústia (SILVA et al, 2007). Outro fator que dificulta a elaboração do luto, segundo Silva (2007) baseava na transferência da compaixão para o familiar do morto (outrora dirigida ao próprio morto), era a crença em acreditar que o falar sobre a morte causava dor ao enlutado, afetando o comportamento das pessoas de forma a evitarem o assunto.

Segundo Ariés (2003) a morte é, assim, temida, por significar uma anulação completa do instinto de vida. O medo da morte como outras fobias, pode resultar de eventos internos, ou seja, de situações conflitantes não solucionadas, não são os objetos ou situações externas que criam nas pessoas o medo da morte, mas a ideia fantasmática de um Eu permanente e eterno que seria aniquilado com a morte (ARIÉS, 2003).

Portanto é importante perceber os efeitos do luto na saúde psicológica das pessoas enlutadas, bem como os fatores de riscos que podem influenciar na dinâmica da família, afetando de forma significativa o bem-estar físico, econômico e social da família.Por ser um assunto complexo e de difícil definição a morte e o luto são vistos muitas vezes, com preconceitos e ideações, gerando sofrimento, culpa e ansiedade. As implicações do luto no ciclo da família é um tema proposto pela necessidade de reflexão acerca do assunto, do impacto no meio social e da sua importância através da crescente demanda de pessoas que procuram ajuda do profissional da área de saúde, como enfermeiros, psicólogos e médicos após passar por um momento de perda (FRANCO, 2016).

O presente trabalho objetivou descrever os processos subjacentes do luto no âmbito familiar, na perspectiva de conhecer os fatores que implicam nas possíveis reações a perda, frente à ocorrência de morte na família, para uma ação mais efetiva no que se refere à atuação de profissionais na estratégia da saúde da família, bem como identificar os indicativos que contribuem para o processo de luto, verificando o significado da perda dentro da dinâmica familiar.

Nessa perspectiva o artigo escrito está pautado no contexto da produção do conhecimento na busca de reflexão para o problema de pesquisa. Entende-se pesquisa como um processo no qual o pesquisador tem na teoria o referencial para fundamentar a sua prática de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente, pois realiza uma atividade de aproximações sucessivas da vida real, refletindo posições frente à realidade (MINAYO, 1994).

Sendo a investigação, organização, utilização de técnicas e análise de dados são condições imprescindíveis para a elucidação de uma pesquisa (PRODANOV; FREITAS, 2013). Assim, faz-se necessário a escolha de um caminho epistemológico que aproximará ao fenômeno. Segundo Lakatos e Marconi (2010) a pesquisa bibliográfica não é uma repetição do que já foi dito ou escrito acerca de determinado assunto, mas fornece a compreensão de um tema a partir de um novo enfoque ou abordagem, propiciando dessa forma, novos olhares e reflexões sobre o mesmo assunto.  Neste contexto, opta-se pelo levantamento bibliográfico baseado em uma pesquisa de embasamento teórico que abordará as implicações do luto na saúde da família, ancorada em fontes como: livros, contemplando autores clássicos e contemporâneos, e artigos, encontrados nas bases de dados de reconhecimento científico como o Scielo e BVSpsi, a fim de fundamentar a pesquisa para contribuir com a produção de conhecimento.

2. Processos do Luto

A família é um sistema dinâmico tendo como principal sustentáculo o vínculo afetivo, uma vez rompido traz consequências que afetam todo o ciclo familiar. A perda de um ente querido pode trazer mudanças significativas na família, bem como aparecimentos de sintomas referentes ao pesar, que implicam no bem-estar físico, biológico, cognitivo, econômico e social da família.

De acordo com Parkes (1998) a morte de uma pessoa na família acompanha vários fatores que implicam na relação que se tinha com a pessoa, o parentesco, etc., cujas perspectivas em relação ao outro são definidas pelo papel social que o mesmo desempenhava que se apoiava na existência dessa pessoa para garantir sua validade, de repente passam a não ter valor algum. Então para a maioria o mundo passa ser vazio e a vida sem sentido (PARKES, 1998).

Portanto, torna-se relevante reinventar um novo caminho na ausência da pessoa que se foi, onde as mudanças se configuram em um arsenal de esforços, dor e sofrimento. Segundo Parkes (1998, p.120) “… seu significado não é mais o mesmo: família não é mais o mesmo objeto, assim como lar, e casamento também não são. Até mesmo na velhice passa a ter agora um novo significado.” Todas essas situações ameaçam a dinâmica da família, trazendo impactos na saúde psíquica tanto de forma individual como coletiva.

A diferença de se perceber diante a perda de um ente querido, segundo Parkes (1988) depende da visão de mundo que o enlutado presume, onde as construções ao longo da vida definem a intensidade e a maneira de como será sentida essa perda, sendo muito mais difícil processar as mudanças que se seguem do que se faria com outras de menor valor, mas podem ser realizadas com o tempo e oportunidades para ajustar as mudanças, tendo ajuda e apoio social.

Já Freud (1917) em seus estudos na obra “Luto e Melancolia” apresentou que no processo de perda a um desligamento pouco a pouco das representações que se tinha ao objeto amado, dando lugar a um desvio de realidade.  Por esse motivo, o domínio da realidade do enlutado era restaurado de forma fragmentada, o qual tornava o processo penoso e desconfortável, onde afetava muitas vezes o bem-estar físico e mental da pessoa.

Por outro lado, Viorst (1999) apontou a crença de que a morte para alguns pode ocorrer com toda dor e desespero, porém, a negação acompanha a esperança de buscar a pessoa que se perdeu e é nesse estado que na grande maioria, o indivíduo sente-se entorpecido como se estivesse vivendo uma realidade distante da sua própria.

A família passa a viver um processo de adaptação, a recomposição familiar que é essencial para a readaptação da família na sociedade, depende não apenas de fatores internos desses indivíduos, tais como a estrutura psicológica, o histórico de perdas anteriores e suas próprias crenças, mas também de fatores externos que incluem as circunstâncias do evento, a rede social de apoio e os recursos da comunidade (BROMBERG, 1996).

 

2.1 Enfrentamento

Pesquisas apontam a complexidade de respostas referentes ao processo de perda e ao fenômeno do luto nos mais diversos tipos de situação, é fundamental que a equipe de saúde e outras redes de apoio investiguem acerca das fases do processo de luto para identificar precocemente as situações de risco, para que o fenômeno seja menos complicado e auxilie a família a retomar vida.

Kóvacs (2003) enfatizou que o tipo de morte pode afetar a forma de elaboração do luto. Suicídios e acidentes são as mais graves, pelos aspectos de violência e culpa que provocam na família. As mortes que acontecem em longo período, acrescidas de muito sofrimento, podem também ser desgastantes para os membros da família. Entre os fatores complicadores desse processo, deve ser considerada a relação anterior com o ente querido, principalmente a que envolve ambivalência e dependência, problemas mentais e percepção da falta de apoio social. O luto envolve múltiplos fatores que podem dificultar a sua elaboração: perdas múltiplas (morte de várias pessoas da mesma família), perdas invertidas (filhos e netos que morrem antes de pais e avós), presença de corpos mutilados, desaparecimento de corpos e cenas de violência (FRANCO, 2008).

Existem algumas variáveis que podem agir como facilitadores ou afetar adversamente nos processos de luto das famílias. Franco (2008) descreve fatores que podem interferir significativamente no processo de morte e luto, bem como a natureza e significados relacionados com a perda. A escuta sensível à dor do outro e o acolhimento são condições imprescindíveis para uma efetiva intervenção da equipe de saúde, colaborando de forma positiva para o trabalho do luto.

Parkes (1998) apontou que em casos de luto patológico, o enlutado deve ser encaminhado para o tratamento psicoterápico, com objetivo de encorajá-lo a expressar seu pesar e superar suas fixações ou bloqueios para que possa se aperceber do que acontece e daí reaprender o mundo, por meio do conhecimento do fenômeno, identificar as possibilidades de adaptação a uma nova realidade.

Rando (1993) afirmou que para a elaboração do luto, é necessário o reconhecimento da perda, a forma como a pessoa reage ao processo de separação, externalizando experiências com a pessoa perdida, possibilitando novas adaptações, bem como o reinvestimento em novas relações.

Segundo Parkes (1998), a perda de um ente querido pode ser entendida como uma importante transição psicossocial, com impacto em todas as áreas de influência humana. Diante da dificuldade que o sujeito tem em ressignificar a vida frente ao momento de perda, a pessoa pode perder a vontade de trabalhar e ficar desempregada, acarretando dificuldades financeiras que gerarão perdas na qualidade de vida, e assim sucessivamente. Dessa forma, uma perda não elaborada gera uma sucessão de novas perdas num processo cíclico de autodestruição. O caos instalado de maneira abrupta precisa retornar a certo grau de equilíbrio para que a pessoa siga sua vida da melhor maneira possível. Mas, muitas vezes, a pessoa não consegue encontrar um ponto de reequilíbrio e se perde dentro do processo de luto, ficando presa ao sofrimento. O luto deixa de ser uma reação natural adaptativa e passa a ser uma prisão geradora de mais dor e novas perdas. Parkes (1998) apresentou que uma avaliação cuidadosa é necessária em todos os casos, já que muitos profissionais não estão preparados para lidar com esse problema. De acordo com Rando (1993) há consequências sérias quando não se cuida de pessoas que apresentam risco para processos de luto complicado, tornando necessário identificar fatores de risco para melhor intervenção.

Para tanto, o conhecimento das fases de evolução do luto, seus fatores de risco e sua complicação, são norteadores para equipe multidisciplinar, envolvida aos cuidados direto com a família em situação de perda, iniciar medidas profiláticas de apoio, principalmente ao mais prejudicado ou com dificuldade de retomar a vida.

O plano de intervenção na estratégia Saúde da Família no contexto de luto se faz necessário no ponto de vista multidisciplinar, possibilitando o acompanhamento da família, atuando na realidade de vida atual e pregressa da pessoa enlutada.

Polido (2014) enfatizou que diante da perda de um ente querido na família, surgem alguns conflitos que afetam todo o ciclo familiar, potencializando ainda mais o sofrimento, a exemplo das diferentes reações as necessidades de cada membro, desde a escolha do cerimonial, até mesmo destino dos pertences, podem gera discordâncias, diante das quais o mais adequado a fazer, por mais doloroso que seja, é sempre conversar, já que, em se tratando de afeto, todos têm o direito de ser ouvidos e de ter a sua dor respeitada. A doença muitas vezes pode ser curada, mas a dor e o sofrimento precisam ser acolhidos.

Porém, para que todo esse potencial seja utilizado, os membros das equipes precisam estar sensibilizados e ter seu olhar humano e acolhedor preparado para o indivíduo enlutado, ao processo de luto e suas demandas, considerando um trabalho setorial para conseguir informações mais precisas. Todos da equipe de saúde, quando treinados para reconhecer e acompanhar o luto, podem contribuir para alertar a equipe de Saúde da Família, em que os olhares de cada membro poderão enriquecer muito a compreensão do todo.

Alguns princípios de como abordar o enlutado são determinantes para um bom trabalho em nível de intervenção, por exemplo: deixar o sujeito falar sobre a perda, ouvi-lo, confortá-lo, ao invés de tentar conformá-lo.

Para Frankl (2016), o sofrimento pode ser transformado em realização; a culpa em mudança; e a transitoriedade no estímulo para atuação responsável. No processo de luto a superação depende diretamente no mundo presumido que o enlutado faz diante das adversidades e da ressignificação que faz perante aos desafios da vida, assumindo um papel de escolha mediante ao sofrimento, a dor e a perda.

2.2 Possíveis Reações Frente ao Luto

O luto representa um processo de crise que exige um grande investimento emocional. A intensidade desta crise e os riscos a ela associados explicam sua importância na prática da clínica psicológica. Ela revela a considerável influência que o luto exerce nos processos que culminam em estados de sofrimento psíquico grave. (PARKES, 1998)

Alguns papéis desencadeiam funções que afetam toda dinâmica da família. Quando se trata, por exemplo, de perdas relacionadas ao cônjuge, segundo Parkes (1998), apontou que a maioria se sente inseguro emocionalmente, solitário, tendo grande dificuldade de interação, bloqueando qualquer tipo de relação que pode trazer a lembrança de quem se foi, devido à persistência de se manter vinculado, trazendo portando a vulnerabilidade emocional, ocasionando um sentimento de desproteção e desamparo.

Outro fator identificado por alguns pesquisadores referente à perda é a ansiedade causada por lembranças da pessoa que se foi e pela solidão em razão da falta de apoio, incluindo “sensação de choque”, crises de falta de ar e outras expressões somáticas de medo. (PARKES, 1998).

O processo de luto pode ser interrompido tornando-se agravante e até mesmo patológico, quando potencializado por determinados fatores ou circunstâncias externas, e que esta interrupção pode ser capaz de acarretar dificuldades futuras para os enlutados. A interrupção do trabalho de luto pode trazer consequências, como a vivência adiada do luto ou mesmo certa impressão de que a morte não ocorreu. Entre as circunstâncias mais comuns, pode-se citar o adiamento ou a não participação no enterro, uma doença ou a preocupação com algum familiar doente ou idoso, uma segunda morte na família. (PARKES, 1998).

A descrição de Lindemann sobre o luto agudo apresentava um quadro notavelmente uniforme, uma síndrome com sintomatologia composta de elementos somáticos e psicológicos. Ele descreve pela primeira vez, em detalhes, uma lista de reações que comumente se seguem a uma perda.

“Comumente, no luto agudo, o enlutado experimenta uma sensação de tristeza somatizada que ocorrem em ondas, com duração de vinte minutos à uma hora a cada vez, sensação de aperto na garganta, de falta de ar por causa da respiração curta, necessidade de suspirar e uma sensação de vazio no abdome, falta de energia muscular e uma intensa tristeza descrita como tensão ou sofrimento mental”. (LINDEMAN, 1944, p.145)

Algumas reações foram identificadas, em determinados casos, outras reações, como insônia, falta de concentração, falha de memória, comportamentos extremamente repetitivos (LINDEMANN, 1944). Estes sintomas pareciam mais frequentes entre os enlutados por morte repentina. Não era incomum que pessoas vivendo a fase aguda do luto expressassem preocupação com seu estado mental, achando que estavam ficando loucas ou que seu sofrimento apenas ficaria pior. Lindemann (1944) também pontuou que os enlutados adoeciam com mais frequência, e que o luto representava uma “porta aberta” para os mais diversos problemas de saúde.

Entre algumas das reações psicológicas comuns ao luto, Lindemann (1944) elencou as preocupações com a imagem do falecido, a culpa, as reações de intensa hostilidade, as alterações nos padrões de comportamento e a despersonalização – experiência na qual os enlutados sentiam a si mesmos e aos acontecimentos ao redor como algo irreal. Para este autor, devido à intensa irritabilidade, é comum que o enlutado evite contatos sociais e que ocorram grandes alterações no convívio com amigos e familiares. Lindemann identificou, também, em alguns enlutados, a presença de tensão, agitação, insônia, sentimentos de inutilidade e autoacusação. Além disso, ele frisou que, em decorrência de sentimentos intensos de autoacusação, poderia surgir, no enlutado, um forte desejo de punição que, por sua vez, poderia ser associado à intensificação de ideação suicida entre alguns enlutados (MOURA 2006).

A perda por morte gera reações adversas que vão da culpa a problemas somáticos. O sofrimento visto de forma intensa traz na angústia o medo de ter perdido muito mais que simplesmente alguém, mas a função que a existência dessa pessoa tinha na vida do outro, a qual jamais será estabelecida, mesmo que venha surgir outras relações, ainda sim, seria diferente, configurando um ser que se foi alguém insubstituível (FREUD, 1914).

Já Kubler-Ross (1985) definiu fases emocionais que evidenciam o processo de luto e as dificuldades encontradas pela equipe multiprofissional ao lidar com o paciente, as notícias difíceis e os familiares, analisando as atitudes diante da morte e do morrer afirmando que a sociedade é propensa a evitar a morte, mas, sobretudo a ignorá-la, o que não é uma atitude saudável.

Kubler-Ross (1985) trouxe sua contribuição nos estágios vivenciados por pacientes em fase terminal, traçando uma ponte para definir as mesmas reações experimentadas pela família que a princípio não aceitam o diagnóstico ou mesmo a morte dos seus entes queridos.

No primeiro momento há uma reação de negação e isolamento, que geralmente faz com que tanto paciente como algumas pessoas mais próximas tenham a mesma atitude e tentem provar de todas as formas que houve um engano, necessitando de tempo para absorção do processo, configurando uma fuga de realidade. Logo depois, o sentimento de raiva por conta da interrupção de planos, da descontinuidade e a própria vida se mescla ao ressentimento e à inveja daqueles que estão saudáveis. Há promessas de novas atitudes e de mudanças de estilo de vida, na esperança de prolongar um pouco mais a sobrevivência.

O profundo sentimento de impotência, marcada pela angústia configura a depressão que decorre não somente do impacto da perda sobre o indivíduo, mas sobre a família.

A última fase em que apontou foi de aceitação, que coincide com o período de maior desgaste físico. Nele, parece ser mais difícil viver do que morrer e os sentimentos desvanecem. Pode haver uma sobreposição desses estágios e a autora afirma que em todos eles, mesmo para as pessoas mais realistas, há sempre esperança que não deve ser retirada com verdades cruéis ditas de forma direta.

Por outro lado, de acordo com Bowlby (1993), os estágios do luto referem-se a princípio com a fase de torpor ou aturdimento, a cognição se desorganiza diante da complexidade do fato, da intensidade da dor. O enlutado encontra-se desorganizado, sem direção. Em seguida aparece o anseio ou protesto e busca da figura perdida, que implica emoções intensas, com muito sofrimento psicológico e agitação física, o enlutado fica à procura da pessoa perdida. Da mesma forma que o bebê chama e procura pela mãe, o enlutado clama pela volta de quem se foi. São comuns nessa fase, relatos de encontros imaginários com o morto. A pessoa relata ter visto a pessoa querida, sentido seu perfume, enfim busca incansavelmente um objeto simbólico para internalizar a lembrança da pessoa que partiu.

A fase do desespero inicia quando o enlutado reconhece a imutabilidade da perda, o que torna esta fase ainda mais complexa e difícil, pois implica desmotivação pela vida, apatia e depressão. É um processo lento e doloroso, que pode levar ao isolamento social, desamparo, bem como a alguns distúrbios psicossomáticos. É como se o morto morresse de novo. Porém, a readaptação se faz necessário para o próximo estágio que direciona em uma possível recuperação, restituição e reorganização: inicia-se com o aparecimento da capacidade do enlutado naquilo que Freud chamou de investimento em outros objetos. O lugar ocupado pela pessoa, agora morta, tem que ser reocupado no sistema por uma ou mais pessoas, assim como papéis e funções, outrora por ela desempenhados. A dor, quase insuportável nas fases anteriores, vai cedendo à saudade. A saudade permite a construção da memória do morto, e do que será escolhido para ser lembrado. O morto ocupará um lugar no sistema familiar, mas como morto. O sistema familiar, transformado pela saída de um membro se reorganiza em um novo formato. O movimento dos membros da família vai aos poucos definindo um novo desenho. As pessoas estão novamente prontas para investimentos emocionais e de outra ordem. Para a teoria do apego, o luto saudável é a aceitação da modificação do mundo externo, onde agora a figura perdida não mais está, e a consequente alteração do mundo interno e representacional assim como a reorganização dos vínculos que permanecem.

Para tanto, os aspectos afetados na dinâmica familiar com a perda, reforça sempre a importância de os profissionais conhecerem o contexto em que vivem essas famílias em situações de vulnerabilidade emocional, bem como os fatores de risco provenientes nesse processo, pois o objetivo consiste na preservação da saúde física e mental dos cuidadores principais, e das vicissitudes que enfrentam.

Kubler-Ross (1985) em seus estudos e pesquisas sobre as reações frente à morte deu ênfase a importância na comunicação entre os atores da situação, o exercício da flexibilidade referente a diversas reações que podem ocorrer, pois nem todos reagem iguais diante o luto. Relatando a necessidade que a equipe precisa para compreender os prejuízos causados pela fragmentação do cuidado, pela fragilidade dos vínculos e pela necessidade de reflexão constantes sobre suas práticas e relações  no âmbito dos mais diversos significados que  a perda de um ente querido tem no contexto familiar.

2.3 Sentido da Morte na Vida

São vários os significados da morte na vida, considerando aspectos históricos, sociais, psicológicos, filosóficos e religiosos, evidenciando como esse fenômeno exerce poder sobre a vida das pessoas, pois ao confrontar-se com sua própria finitude, o sujeito vivencia a unipolaridade de se estabelecer como ser limitado e vulnerável a própria vida (PARKES, 1998).

Segundo Marcuse (2012), apontou dois polos que se distinguem pela ideologia de pensar que a morte faz parte da vida, sendo um fato natural, pertencente ao homem como uma questão orgânica, por outro lado, a morte é vista como o que dá sentido a vida, visto ser à pré-condição para “verdadeira” vida do homem.

De acordo com Viorst (1988) as pessoas vivem de perder e abandonar, e mais cedo ou mais tarde, com maior ou menor sofrimento, todos irão compreender que a perda é, sem dúvida, uma condição permanente da vida humana e a morte necessária no ponto de vista do ciclo da vida.

Existe uma série de mecanismos para mascarar o verdadeiro significado da morte para o sujeito, sendo a raiva, a culpa, idealização e tentativas de reparação, sugestões para admitir que na realidade a pessoa se foi. (VIORST, 1988). A conscientização da mortalidade pode enriquecer o amor pela vida sem fazer da morte, algo aceitável, mas compreensível.

“A perda é um poderoso evento nodal que abana a fundação da vida da família e deixa todos os membros afetados (…) [ela] modifica a estrutura familiar, requerendo normalmente uma grande reorganização do sistema familiar. O significado de uma determinada perda e respostas a ela são moldados essencialmente pelo sistema de crenças da família, o qual, por sua vez, é modificado por todas as experiências de perda” (Walsh e McGoldrick, 1998; pág.5).

Portanto para humanidade, a morte se faz acompanhar de ritos funerários, sendo a única a crer na sobrevivência ou no renascimento dos mortos, o que faz da morte um dos traços mais culturais da espécie.

Segundo Walsh; McGoldrick (1998) apontou a morte como desafios adaptativos partilhados e mudanças nas definições que a família tem da sua identidade e objetivos. A capacidade de aceitar a perda está no cerne de todas as competências nos sistemas familiares saudáveis. Pelo contrário, as famílias muito disfuncionais demonstram os padrões menos adaptativos relativamente ao lidar com as inevitáveis perdas, agarrando-se juntos na fantasia e negação para ofuscar a realidade e para insistir na (in)temporalidade e perpetuação dos laços nunca desfeitos.

Para, além disso, a adaptação não é equivalente a uma resolução no sentido de ultrapassar completamente e de uma vez por todas a perda. Como foi mencionado anteriormente, o luto e a adaptação não têm um tempo fixo ou uma sequência linear.

Há, no entanto, desafios adaptativos cruciais na família que, se não forem ultrapassados, deixam os familiares vulneráveis à disfunção e aumentam o risco da dissolução da família. Existem, assim, duas tarefas principais que tendem a promover a adaptação imediata e em longo prazo dos familiares e a fortalecer a família como uma unidade funcional. (WALSH; MCGOLDRICK, 1998). A consciência da morte não é algo inato e sim resultado de uma consciência que capta o real, isto é, é só por experiência que o ser humano sabe que irá morrer um dia. A morte humana, segundo Coelho (2000) é um conhecimento do indivíduo que vem sempre do exterior, isto é, é um conhecimento aprendido, o que favorece uma atitude surpresa diante de cada fim de uma vida.

Nesta perspectiva da morte como algo aprendido, Coelho (2000) ressaltou que as pessoas dão a morte um sentido ocasional (doenças, infecções, acidentes) para este fenômeno, o que revela uma tendência grupal de não reconhecer a dimensão necessária que a perda apresenta como necessidade para a continuação da espécie. É nesta perspectiva que o autor defende a importância de se trabalhar mais temas considerados interditos (como é o caso da morte e da sexualidade) em uma sociedade marcada por tabus, no intuito de formar cidadãos mais críticos e pensadores dos problemas sociais e que saibam articular diferentes culturas.

Na visão de Kovács (1992) em seus estudos sobre a morte, trouxe como tema educacional para crianças e jovens, que o conhecimento da morte deve aparecer desde a mais tenra infância. Para a autora, enganou-se quem acreditava que a morte só é um problema no final da vida, por outro lado a autora apontou também a forma como a perda é representada nos dias atuais na forma de morte escancarada, onde as pessoas presenciam constantemente noticiários, filmes e até exposições de pessoas mortas nas redes sociais, gerando estresse, revolta e medo, reforçando o ocultar de falar sobre a morte.

Pode-se, é claro, tentar esquecer, ignorar ou mesmo fingir que a morte não existe, mas tal comportamento é problemático, diz a autora, porque toda experiência de morte que se adquire é fundamental para as nossas vidas. Por este motivo, Kovács defende a importância da abordagem do tema com as crianças e os adolescentes. Para ela, ao não falar com a criança, o adulto crê estar a protegendo, como se essa proteção aliviasse a possível dor e mudasse magicamente a realidade. Na verdade, afirma Kovács (1992), que a criança pode se sentir confusa e desamparada por não ter com quem conversar.

Por tradição cultural, familiar ou mesmo por investigações pessoais, cada uma das pessoas traz dentro de si sua própria representação de morte, afirma a autora. Cada experiência desta, diz Kovács, é essencial na representação que fazem de morte. A experiência mostra que o medo é a responsável psicológica mais comum diante da morte. Nenhum ser humano está livre do medo da morte e todos os demais medos existentes estão de alguma forma, relacionados a perda (KOVÁCS, 1992).

Barreto (1992) apontou os tipos de expectativas em relação a iminência da morte e de combinações possíveis de certeza e tempo, dando um significado referente a análise na trajetória, para a família, bem como para equipe de saúde.

Segundo o autor há três tipos de trajetória que definem o processo de morte: a prolongada, rápida esperada e rápida inesperada. A trajetória prolongada, a vida vai se esmaecendo, perdendo o colorido lentamente e gradualmente até a morte, tornando-se a morte social da pessoa precedente da morte física, concreta, tornando-a não mais aceitável, mas apropriado. Cenas de impaciência são possíveis ser observadas, ora nos médicos, ora nos familiares quando acontecer se prolonga demais fora de uma previsibilidade, ocasionando sofrimento e fatiga.

Há um período suficiente para que as pessoas se acostumassem á ideia, fizessem planos, trabalhassem antigos conflitos e mal-entendidos e formassem, talvez, pela primeira vez um sentimento maior daquela unidade microssocial (BARRETO, 1992).

O autor traz também que o processo de perda de algum membro da família traz grande vulnerabilidade emocional, ocasionando um grande impasse na estrutura familiar.

A trajetória rápida esperada implica em fazer o que é possível, onde as pessoas ficam entre a vida e a morte, onde o fim parece iminente e a corrida parece ser mais rápida, a morte passa ser vista como um grande adversário a ser vencido, mas a certeza de estar fazendo o que precisa.

Na trajetória rápida inesperada a morte se configura como um evento surpreendente, inesperado e o sentido da vida passam como um “conto ligeiro”, onde a família perplexa se confronta com a finitude, bem como a equipe. Então a vida passa a ser uma passagem rápida marcada pela desesperança de continuidade e na certeza que os homens são meros mortais (BARRETO, 1992).

A grande maioria frequenta escolas por mais de vinte anos de existência e assim se preparam para a vida social da mesma forma, que deveria também preparar, para o fim da existência humana. Essa educação envolve comunicação, relacionamentos, perdas, situações-limite, nas quais reviravoltas podem ocorrer durante a vida, como, por exemplo, fases do desenvolvimento, perda de pessoas significativas, doenças, acidentes, até o confronto com a própria morte (FRANCO, 2008).

Para tanto, o significado da morte depende diretamente da maneira que as pessoas são educadas para esse momento, portanto, a educação para a morte é um estudo fundamental sobre a possibilidade do desenvolvimento pessoal de uma maneira mais integral, uma construção interior que se propõe durante o existir, desenvolvimento que também pressupõe uma preparação para a morte, dando um sentido à vida dentro dos limites impostos pela morte (FRANKL,2016).

3. Considerações Finais

Diante do exposto, pesquisadores (como por exemplo, Bowlby, 1993; Parkes, 1998; Franco, 2008) compreendem que as experiências dos indivíduos diante da morte são influenciadas pelas crenças e representações coletivas da sociedade da qual eles pertencem, bem como associações significativas referentes a traumas por perda de vínculos afetivos na infância. A representação da morte permeia por vários aspectos da sociedade, evidenciando o quanto é importante falar sobre a perda de um ente querido na família. Por ser um tema interdito, na maioria das vezes em algumas sociedades, esse fenômeno traz muitos significados, onde a complexidade leva muitas vezes, a uma percepção individualista e subjetiva, tornando cada vez mais o processo difícil pelo o isolamento e desamparo.

Este estudo procurou fazer uma reflexão acerca da significação da finitude para os humanos, objetivou as implicações da morte no contexto familiar trazendo uma análise de como a morte evoca princípios que estão nos alicerces de toda sociedade.

Morin (1988) explicou que o reconhecimento da morte por parte do sujeito é a aceitação de sua finitude como indivíduo e que esta noção de perda da individualidade é um grande transtorno que a morte causa. A perda da individualidade remete ao aniquilamento do ser humano pela morte.

A morte de um ente querido influencia diretamente na qualidade de vida das pessoas dentro do contexto familiar e, também, na maneira como ela interage na sua atividade profissional com o processo de morte e morrer. Por esse motivo procura-se, nesse trabalho, tecer reflexões sobre os aspectos psicossociais envolvidos na relação das pessoas com a morte e da grande necessidade de criar dispositivos para acolher as pessoas enlutadas e atender suas demandas, dentro das possibilidades, contribuindo de alguma forma para que paradigmas, estigmas e mitos em relação à morte possam ser afastados no intuito de ajudar essas pessoas a terem um ambiente favorável para o acolhimento.

Nesse contexto o espaço da Saúde da Família é um dos locais mais propícios por valorizar o vínculo longitudinal, permitindo uma relação mais completa, humana, acolhedora e resolutiva. A Estratégia de Saúde da Família possui ferramentas tecnológicas no auxílio à família enlutada por meio de profissionais da saúde capacitados dispostos a ouvir, acolher, atendendo de forma diferenciada a cada indivíduo na sua singularidade.

Portanto, a equipe deve criar espaços para cultivar essa sensibilidade e mantê-la em alerta para a escuta de compreensão dos sentimentos da pessoa em luto, pois se configura como um processo de crise que exige um grande investimento emocional. A magnitude dessa crise e os riscos a ela associados explicam sua relevância na prática da clínica psicológica. Ela revela a considerável influência que o luto exerce nos processos que culminam em estados de sofrimento psíquico grave.

O luto exige um grande investimento emocional dos indivíduos que se veem subjetivamente implicados no longo e paulatino processo de reposicionamento frente a dimensões variadas de sua existência (FREUD, 1917).

A transição psicossocial é um fenômeno adaptativo e necessário, no ponto de vista do processo de luto, uma experiência de ressignificação e uma constante busca de papeis que a pessoa possa desempenhar dentro do contexto luto (PARKES, 1998).

A família está inserida no desenvolvimento da sociedade e se apresenta como instituição imprescindível. Os fatores de desestruturação familiar partem de um pressuposto, onde a família se encontra em uma situação de vulnerabilidade emocional, social e econômica que na maioria das vezes tem relações com perdas.

Refletir sobre o luto na família faz parte de uma análise que visa verificar as possibilidades de atuação interdisciplinar dos profissionais da área de saúde numa perspectiva de efetivação e cuidado. Está desde o significado da perda, a maneira de como é enfrentado luto (PARKES, 1998).

É importante reconhecer que sentimentos de perda e de luto podem ser despertados na equipe de saúde. Tais sentimentos de contratransferência podem prejudicar o acolhimento e o auxílio, gerando distanciamento da equipe, que não se vê capaz de lidar com o luto ou morte e acaba evitando o contato ou rapidamente encaminhando o paciente. Muitas vezes, com a rotina, pode vir à indiferença à dor da pessoa, com consequente incapacidade de sentir a sua dor, mantendo o foco nas doenças e não nas pessoas, o que cria uma relação fria e distante. É comum a inabilidade dos profissionais de saúde em enfrentar a morte, e principalmente em lidar com questões não biológicas, buscando fugir do vínculo e mantendo uma relação exclusivamente técnica e distante.

Mas, para que todo esse potencial seja utilizado, os membros das equipes de saúde, do agente comunitário ao médico precisam estar sensibilizados e ter seu olhar humano e acolhedor para receber o indivíduo enlutado, bem como acompanhá-lo no processo e acolhê-lo em suas demandas. Geralmente a perda de um membro da família traz várias consequências causais, como doenças psicossomáticas, ansiedade e muitas vezes, o aparecimento de sintomas depressivos (PARKES, 1998).

Por outro lado, vários pesquisadores definiram o sofrimento por perda de um ente querido como reação de várias perdas acumuladas (FREUD, 1917), outros apresentaram como resultado de uma separação desde a infância, levando em consideração o vínculo entre mãe e/ou cuidador e criança, já para os que acreditam na continuidade, a perda é apenas uma transição (PARKES,1998).

Para tanto, o luto é um evento único que afasta qualquer definição, cada um sofrerá de forma subjetiva e com variadas manifestações usando de todas as formas, mecanismos que os afastam do sofrimento, portanto é preciso senti-lo, acolher, cuidar do outro. O sofrimento só é intolerável quando passado sozinho.

O medo de perder transita em um paradoxo de vida que ao mesmo tempo em que move o homem, também o paralisa, obrigando a conviver com os primitivos temores.

Considera-se relevante abrir espaço para cuidar do sofrimento de pessoas que vivenciaram o processo de luto, intervindo desde a prevenção ao desenvolvimento dos sintomas e complicações, desta forma pode-se contribuir para a saúde psíquica e consequentemente física do indivíduo e da família, favorecendo adaptação ás mudanças proveniente da perda e a retomada de suas vidas.

PorGelson Daniel

PSICOLOGIA SOCIAL, como o nosso comportamento afeta o olhar do outro

A psicologia social é um ramo da psicologia responsável para o estudo do comportamento, pensamento e sentimento pessoas dentro de um contexto social. Isso implica o estudo das formas de comportamento diante de diferentes situações da vida social, e tenta explicar os comportamentos de resposta com base no método científico e, assim, prever comportamentos futuros de acordo com o modelo estabelecido.

A importância do outro

No campo da psicologia social, a influência do outro sobre nossas ações é inevitável. O comportamento dos indivíduos, exceto por algumas exceções, é modificado quando estamos com outras pessoas. E mesmo estando com outros indivíduos, haverá mudanças de acordo com o nível de afinidade e conhecimento que temos da (s) pessoa (s) ao nosso redor.

No entanto, a psicologia social avança para além das situações em que temos companhia . Eles também abordam os pensamentos e ações que realizamos na solidão, mas levando em conta as influências de outras pessoas. O eixo fundamental para entender a psicologia social é que estamos em uma conexão permanente com o mundo, e é por isso que nossas ligações com outros indivíduos são fundamentais para entender o modo de pensar e de se comportar.

Os princípios da psicologia social

Existem três ideias fortes em psicologia social. Por um lado, há o pensamento não-racional (ou inconsciente) que está relacionado à natureza biológica do ser humano e que é responsável por salvar recursos cognitivos para realizar o trabalho diário do nosso dia-a-dia; outra das bases são as características pessoais , o modo como cada indivíduo pensa, sente e interage com os outros, influenciando diretamente os comportamentos que temos diante da sociedade; finalmente a influência do outro .

A psicologia social não compreende o indivíduo fora de um contexto social específico . Mesmo estando na solidão, o ser humano é influenciado em suas atitudes e pensamentos pela presença de outros. Além disso, essa ciência social foi estendida a tal ponto que funciona em conjunto com outras áreas e ramificações, como antropologia, psicologia social comunitária, sociologia e psicologia social aplicada, para citar alguns exemplos.

A mudança de atitude de acordo com a observação

A sensação de que estamos sendo observados é determinante do nosso modo de agir. Existem diferentes atividades que, quando nos sentimos observadas, nos desempenhamos de forma mais eficaz. Mas também há outras atividades que faremos de forma desastrosa se nos sentirmos observados. Existem muitos parâmetros que influenciam esse desempenho, e a psicologia social busca se aprofundar nessas razões, entender por que certas ações e outras.

 

A maneira pela qual somos criados, a proximidade ou a ignorância da pessoa que nos observa, a ação em si, são apenas algumas das variantes no momento da compreensão em psicologia social, porque realizamos atividades de uma forma ou de outra. É um trabalho que requer horas de pesquisa, dezenas de exercícios e exemplos para criar um quadro científico e daí investigar as respostas e escopos da teoria da psicologia social para cada tipo de evento e resposta.

PorGelson Daniel

DEPRESSÃO, causas e formas de tratamento

A depressão é um dos mais comuns dentro do espectro de consulta distúrbios psicológicos hoje.Muitas vezes os pacientes confundem quadros relacionados a situações de tristeza com depressão, motivo pelo qual o acompanhamento de um profissional torna-se essencial para ajudar a canalizar os diferentes mecanismos psicológicos e psicossociais para ajudar a recuperar a saúde emocional. O que é depressão e como pode ser tratada?

As características da depressão

Como um distúrbio psicológico , a depressão é um estado mental que se manifesta através do aparecimento de sentimentos de perda, tristeza, frustração e raiva. Se não for tratada, a depressão pode ser um distúrbio sério, pois interfere no desenvolvimento normal da vida diária e pode durar semanas, meses ou anos sem qualquer tipo de interrupção.

A depressão pode se manifestar a qualquer momento, mas é mais comum na adolescência e em diferentes momentos e situações da vida adulta. O caso da depressão infantil é diferente, suas características distintivas são muito diferentes e é importante registrar o desempenho escolar das crianças para encontrar pistas que indiquem um estado de depressão.

O que causa depressão?

A depressão pode ter causas genéticas, fisiológicas, pessoais ou ambientais, ou uma combinação de várias. No caso de ter um histórico de depressão na família, atenção especial deve ser dada, pois é gerada uma certa tendência a desenvolver sintomas depressivos.

Em pessoas que sofrem de depressão, estudos científicos detectaram uma menor presença de serotonina nas junções de neurônios. Doenças como diabetes, hipertireoidismo e enxaqueca tendem a estar relacionadas à depressão porque causam distúrbios endócrinos. Há também uma estreita relação entre depressão, altos níveis de estresse e quadros de ansiedade. Em termos de idade, as pessoas entre 35 e 45 anos são as mais vulneráveis ​​e, em mulheres, os casos são mais comuns.

 

Os principais tipos de depressão são transtorno depressivo maior, distimia, transtorno bipolar ou maníaco / depressivo e depressão pós-parto. No caso das mulheres, tanto a gravidez quanto o pós-parto são fases muito importantes que podem gerar depressão devido às alterações hormonais que são geradas. Os casos mais intensos de depressão pós-parto são comuns em mulheres com menos de 20 anos de idade e naqueles que consomem álcool ou tabaco.

Perguntas que podem orientá-lo para detectar uma imagem depressiva

  • Você chora mais vezes?
  • Você se irrita mais ou menos do que antes?
  • Você tem sentimentos de tristeza ou desânimo?
  • Você se sente cansado com mais frequência?
  • Você tem mais ou menos apetite?
  • Você tem pensamentos de morte?

Como sair da depressão

Para sair da depressão é importante para ativar tanto física como emocionalmente É exercícios, começar a ter pensamentos positivos e otimistas desenvolver a auto – estima e começar a tomar atitudes proativas para resolver os problemas. O acompanhamento por um psicólogo é importante para detectar o nível de sintomas depressivos e ajudar a orientar possíveis atividades e atitudes para canalizar a energia física e mental do paciente.

A depressão é um distúrbio habitual, pode ser tratada, mas requer esforço e perseverança. Quanto mais rápido o problema é detectado, mais rápido você pode começar a trabalhar para resolver as complicações que ele gera.

 

PorGelson Daniel

5 dicas para MELHORAR AUTO-ESTIMA

A autoestima , ou amor- próprio , é um fator que muitas vezes não é levado em conta o suficiente quando se analisa a saúde mental das pessoas. A autopercepção e a maneira como encaramos nossas vidas e nossas decisões são responsáveis ​​por nosso estado de espírito, e existem milhares de pessoas que sofrem de baixa autoestima e isso afeta seu desempenho no trabalho, na escola e na vida em geral. . Como combater esse sentimento de falta de amor próprio?

1. Pare de se culpar por tudo

A falta de confiança em si mesmo e baixa auto – estima, muitas vezes tem a ver com sentimentos de culpa. É importante que as pessoas sejam capazes de apreciar tanto suas deficiências quanto suas virtudes. A famosa frase “ninguém é perfeito” implica que, além das virtudes, temos erros e, assim como não devemos nos deixar inchar com o que fazemos bem, não precisamos exagerar a culpa que sentimos por nossos defeitos. O saudável é reconhecê-los e tentar trabalhar para mudá-los.

2. Crie metas realistas

Começando a trabalhar para melhorar a auto-estima, é importante realizar atividades e estabelecer metas atingíveis . Caso contrário, acabaremos frustrados. Em caso de falha, não fique frustrado, mas aprenda com os erros. Para minimizar as frustrações, no primeiro você tem que colocar metas de curto prazo, alcançáveis. Caso contrário, nossa mente pode nos enganar, tentando nos convencer de que não valemos a pena.

3. Aprenda a fazer críticas construtivas sobre sua própria pessoa

O pior juiz de nossa personalidade deve ser nós mesmos. Você tem que ter a grandeza de não ficar preso e seguir em direção a um novo nível de melhoria pessoal . O truque é aprender a dar a cada crítica o seu lugar, aproveitando-se do positivo e descartando o doloroso.

4. Aproveite o tempo para você

Tempo livre deve ser usado em atividades que você gosta. Desta forma, você será feliz por mais horas do dia, e que boa energia é o que permitirá que outras coisas boas aconteçam. Uma boa energia em torno do seu estado de espírito atrairá mais coisas boas para continuar melhorando sua auto-estima e a percepção que você tem da sua própria vida e do ambiente que o rodeia.

5. Recapitule e destaque os aspectos positivos de cada dia

Cada dia é único, diferente do resto e cheio de ações e atividades diferentes umas das outras. Antes de ir para a cama e começar a repor a energia, passe algum tempo revendo tudo o que acabou sendo positivo no seu dia a dia. De um bom tempo com amigos para um trabalho bem feito. À medida que você acrescenta pensamentos positivos, será mais fácil aumentar sua auto-estima e estar cada vez mais perto de ser feliz.

Finalmente, um conselho que faz parte do senso comum, mas é a base para alcançar uma boa auto-estima : amar a si mesmo . Isso deve ser sempre enfatizado, porque o amor-próprio e a auto-estima são a maneira pela qual nos percebemos e nos defendemos daqueles que gostam de ferir os outros e fazê-los tristes.

PorGelson Daniel

Como combater o stress

Como combater o stress

Inúmeras situações da vida cotidiana, nas grandes cidades, podem causar o chamado stress, em função de um acúmulo de ansiedades, ou seja, de energia no campo psíquico: desde o trânsito, até problemas de ordem pessoal, econômicos, profissionais, familiares, além da correria do dia a dia. Também há quadros de stress que são decorrências de uso de substâncias psicotrópicas (álcool, remédios e drogas) ou de doenças orgânicas.Enfim, há diversas causas para o estresse.

Situações em que o sujeito se sente sobrecarregado são algumas das causas mais freqüentes de stress. As situações de sobrecarga podem ser geradas por questões difíceis e desafiadoras, ou ainda, por eventos que podem ser interessantes e positivos, mas que geram gastos de energia, como por exemplo: fazer uma compra ou aluguel de imóvel, organizar o próprio casamento, a constituição de uma família, a gravidez etc.

Há alguns sinais e sintomas simples, que podem ser representativos dos quadros de stress: redução da produtividade, cansaço, distrações, faltas na escola ou no trabalho. Há, contudo, sintomas mais sérios: insônia, irritabilidade, sensações de grande desprazer, desinteresse e monotonia nas atividades cotidianas. Na realidade, esclarecemos que alguns desses sinais são absolutamente comuns na vida de todos nós, podendo advir de diversos quadros (mesmo situações que não caracterizam nenhum tipo de doença); mas, quando não estão isolados, podem ser bastante incapacitantes e estressantes.

 

Apenas um profissional da área da psicologia ou medicina pode avaliar a situação clínica e perceber se o quadro desenvolvido pelo sujeito é proveniente de um diagnóstico de stress, ou se trata de uma condição mais comum da vida.

A ideia de mudança dos hábitos é bastante comum e correta, quando se pretende diminuir o nível do stress. A questão é que nem sempre isso é simples ou fácil de ser atingido: melhorar a alimentação, a quantidade e qualidade do sono, ingerir menos bebidas alcoólicas, cafeína, fumar menos ou não fumar, fazer esportes com regularidade, ter uma vida afetiva e sexualmente saudável, passear e viajar, além de outras formas de lazer, tudo isso é útil e necessário para combater os acúmulos de energia que geram o stress. Mas, há momentos em que se necessita de auxílio mais específico, como o de um psicólogo. Repensar a vida, observar o que se passa, dividir as angústias, ouvir as avaliações de um profissional, isso é de extrema importância. Algumas vezes, além da psicoterapia, pode se útil um tratamento medicamentoso.

 

 

 

Todavia, ressaltamos que não se deve tomar remédio de forma leviana, sem que haja, realmente,

a recomendação feita por um médico capacitado. Enfim, busque mais informações e não deixe que o stress tome conta, procure um especialista.

Publicado em Informativos por GD