Mulher de 70 anos concluiu curso de licenciatura no país

Porstelio

Mulher de 70 anos concluiu curso de licenciatura no país

Margarida Chemba Solunga, de 70 anos, concluiu, na quinta-feira, em Luanda, a licenciatura em Psicologia pelo Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA) com 18 valores. Defendeu a tese de licenciatura sobre “Aspectos psicossociais, culturais e identidade da mulher rural do município de Ukuma, província do Huambo”.

A nova licenciada em Psicologia
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro
Na defesa da monografia, Margarida Solunga destacou aspectos relacionados com a cultura, hábitos e costumes da população de Ukuma, trazendo questões ligadas à superstição, casamentos precoces e à perda acentuada de valores.
Depois da defesa do trabalho de conclusão do curso, a nova licenciada, visivelmente emocionada, disse ao Jornal de Angola que o trabalho incidiu na interacção sociocultural das mulheres do campo. Natural de Ukuma, a nova licenciada disse ter ficado surpreendida com o resultado da investigação, tendo sublinhado que “existem perdas consideráveis de valores em algumas comunidades do interior do país, lugares onde o conservadorismo tradicional era latente e de forma protecionista.”
Agora licenciada em Psicologia, a anciã pensa continuar a trabalhar com mulheres das zonas rurais em Catete, no município de Icolo Bengo, província de Luanda, devido à vulnerabilidade que apresentam.
Margarida Chemba Solunga fez o quinto ano, o equivalente à 9ª classe, na Escola Industrial do Cuito, província do Bié, em 1972 e, três anos depois, concluiu o magistério primário, na escola João de Deus, também no Cuito. Mãe de cinco filhos, todos formados, Margarida Solunga regressou à vida académica em 2014, depois de a última filha ter concluído a licenciatura em Geologia e Minas.
O director-geral adjunto para a Área Científica do ISTA, Victor Mendes, confirmou que, durante os quatro anos de formação, a anciã “raramente faltou às aulas e nunca foi a recurso, tendo alcançado notas positivas em quase todas as provas.”
O júri considerou a defesa da anciã “uma aula magna”, por ela ter elaborado um trabalho que defende o património cultural angolano, tendo a investigação sido feita na sua terra natal.

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