O PERFIL PSICOLÓGICO e SOCIAL DOS INDIVÍDUOS PERTENCENTES A SEITAS EM ANGOLA

PorGelson Daniel

O PERFIL PSICOLÓGICO e SOCIAL DOS INDIVÍDUOS PERTENCENTES A SEITAS EM ANGOLA

O PERFIL PSICOLÓGICO e SOCIAL DOS INDIVÍDUOS PERTENCENTES A SEITAS EM ANGOLA. Por: Psic. Mário de Lemos

As Seitas abrangem necessidades de identidade social e de pertença, e ainda que nas dinâmicas de segregação religiosa possam ocorrer abusos e manipulações, a questão fundamental reside nas relações de dependência entre seguidores e líderes, que, em casos extremos, podem levar com que haja dependência dessas mesmas seitas.
A imagem que a Maior parte da População tem das seitas e de seus seguidores está muito “impregnada” por distorções cognitivas e estereótipos, com imagens sociais hiperbolizadas, muitas vezes distorcidas, ligadas ao sensacionalismo e interpretações com pendor mais ideológico do que real. As Pessoas usam a Heurística da Ancoragem para analisar a actividade das Seitas, visto que “ancoram” as suas ideias em padrões preconcebidos pelos outros e a partir daí têm dificuldade em se desfazer delas. Para essa visão, contribuíram, com algum peso, os médias, mas também alguns teóricos e “Experts” que têm adoptado posturas com forte influência ideológica e, com muita frequência, maniqueísta (quando só se vê os Lados Bom e o Mau) que, partindo de posturas extremistas, colocam nas Seitas, á responsabilidade de muitos males sociais ou olham para elas, como como vítimas inocentes de algum descontrolo social em termos psicológicos das populações.
É costume olhar com algum cepticismo para os Líderes dessas seitas e olhar para o Perfil das pessoas que estão envolvidas nelas, e a própria natureza do fenômeno sectário, que se centra em necessidades prementes do ponto de vista psicológico e emocional faz com que se agudize a visão da sociedade sobre as Seitas.
O conceito e a definição de seita apontam para uma realidade social complexa e difícil de conceituar.
O Dicionário Integral de Língua portuguesa apresenta que Seita “Doutrina ou sistema que se afasta da crença geral; Conjunto de indivíduos essa doutrina (2012, p. 1339), o que de per si já acarreta alguma carga exclusiva em termos de abordagem social.
Muitas ouvimos termos como “Seitas destrutivas, Seitas ocultas, Seitas desviantes” e outros nomes mas isso surge mais pelo pouco conhecimento que uns têm e pela forma pouco digna com que se comportam alguns dos seus membros. Mas, é preciso não confundir a Beira da Estrada com a Estrada da Beira.
Há, por parte de muitas pessoas que procuram as Seitas, alguma carência afectiva, sofrimento psicológico, falta de perspectivas sociais futuras, “Fome Espiritual”, muitas vezes advinda da fome física ou fisiológica, falta de crença nas entidades terrenas e a nível psicológico, estudos demonstram que as características presentes em indivíduos que aderem as Seitas são: Desconforto psicológico e desadaptacão, insatisfação ou desencanto e atitude de procura, “Fraqueza de Ego” ou rasgos de personalidade de entre os quais se destacam pessoas deprimidas, solitárias e inseguras.
Hoje, e segundo Rodriguez & Odriozola (2009) citado por Paulino & Almeida (2014, p. 413), a Dependência á Seitas já pode ser visto como um comportamento aditivo e deve merecer a devida atenção, pois a vivência da Seita passa a ser o único ponto de vida para a essa pessoa, coarctando a sua Presença social, pelo que pode acarretar vários problemas.
Sob o comportamento aditivo subjaz á necessidade de dependência própria de indivíduos que não se acham capazes de atingir por si próprios aquilo que aspiram e, para tentar ocultar a sua sensação de fracasso e manter uma imagem de si próprios, ou seja o que surge de bom na sua vida é sempre “Graças” ao Líder da Seita e nunca por sua força e o que acontece de mal, é sempre culpa daquilo que o mesmo “Líder” disse ser á causa e nunca por sua pouca entrega ou fraqueza moral.
Os “seitodependentes”(termo criado a propósito por Pepe Rodriguez), bem como os toxicodependentes, chegam a sentir-se incapazes de poderem relacionar -se com a vida quotidiana sem o suporte da dinâmica da qual dependem e, em consequência disso, estão dispostos a qualquer sacrifício e degradação moral, desde que possam continuar a “merecer” da sensação de bem-estar que lhes proporciona o seu comportamento aditivo.
Temos visto, muitos dos nossos irmãos que todas as suas decisões devem passar pelo crivo do Pastor, Bispo e Outros Líderes (a Ecografia tem que ser abençoada pelo “Pastor”, o Certificado que vai para a busca do emprego passa primeiro pelo “Pastor”, á Doença do Filho passa sempre primeiro pelo “Olhar clínico do Pastor” e outros quejandos), o que faz pensar que ele este indivíduo é dependente do Líder Sectário.
Existem 4 Condições básicas para que haja á Captação para as Seitas, e que despoletam o “Momento Certo” e que são:
1 – Ter um perfil de risco (dentro dos BIG FIVE, as pessoas que têm uma maior “ABERTURA”;
2 – Quando o indivíduo atravessa uma determinada crise ou um período de crise (doença, desemprego, falta de marido ou esposa, infertilidade, Alucinações, muitas vezes motivada por aspectos culturais (coitados dos Gatos, kkkk), e se for doloroso e grave e que aumente o stress e a ansiedade do indivíduo, então será mais rápido;
3 – Ser cooptado (contactado ou recrutado) de modo adequado por alguém conhecido ou não mas que vivam o mesmo problema;
4 – Que a mensagem da Seita se enquadre nas necessidades, interesses e mentalidades do indivíduo.
Na ausência dessas condições, a possibilidade do indivíduo ser captado diminuem de forma drástica.
Os factores de predisposição para aderir as Seitas passa por diferentes aspectos: Idade, sistema familiar disfuncional, dificuldades de adaptação social, distorções cognitivas, características de personalidade, busca religiosa e espiritual e desconhecimento da vulnerabilidade de manipulação.
Acompanhando os vários programas que passam pelos nossos canais Nacionais e não só (TPA, TV ZIMBO, Record e outros), fica muito marcado que os perfis dos Líderes apresentam traços de autoritarismo muito exagerado e também o Narcisismo.
Podemos afirmar que não existem um perfil de personalidade que impele os indivíduos para as Seitas mas sim um conjunto de traços psicossociais que potenciam a vulnerabilidade para a adesão as Seitas.
Podemos concluir que as Seitas em si, não são um problema mas as visões pejorativas e pouco aprofundadas do fenômeno que fazem com que haja extremismos.
Mário de Lemos, Psicólogo Criminal aos 11 de Março de 2020, num Bunker qualquer pela Cidade de Luanda.

Sobre o autor

Gelson Daniel editor

Deixar uma resposta